Helvio Romero
Helvio Romero

Após ser alvo de protesto, Cunha chama manifestantes de 'intolerantes'

Em visita à Assembleia Legislativa de São Paulo, presidente da Câmara foi vaiado por grupos anti-homofobia durante sessão plenária, que chegou a ser interompida

José Roberto Castro e Valmar Hupsel Filho, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2015 | 09h51

Texto atualizado às 18h05

SÃO PAULO - O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), foi recebido com vaias anti-homofóbicas por membros do movimento Juntos!, na manhã desta sexta-feira, 27, na Assembleia Legislativa de São Paulo. Ao tentar iniciar seu discurso na Casa, Cunha foi interrompido com gritos de "Machista e homofóbico não passarão", "Fora, Cunha", "Facista" e "Constituinte já, o povo quer falar" pelos manifestantes instalados na galeria. 

Um casal de homens deu um beijo na boca para reforçar a mensagem do protesto. O grupo foi retirado do recinto pela Polícia Militar a pedido do presidente da Assembleia, Fernando Capez (PSDB), depois de um pedido do deputado Luiz Alfredo Machado (PSDB). "É constrangedor para esta Casa receber o presidente da Câmara e não dar a ele o direito de fala", afirmu. O movimento foi criado por jovens ativistas políticos defensores de causas sociais e contra o preconceito, na capital paulista, em 2011.

Cunha chamou os manifestantes de "intolerantes" e cobrou deles "educação", ao que foi retrucado com mais vaias de "homofóbico" da parcela de manifestantes. "Não vim aqui discutir minhas posições pessoais", rebateu. A agenda de Cunha na Assembleia está inserida na programação do projeto "Câmara Itinerante", que visa dialogar com Estados sobre demandas locais.

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Após o encontro, o presidente da Câmara destacou, em coletiva à imprensa, que votará em maio o projeto de reforma política discutido em comissão especial na Casa. Segundo ele, a Câmara deve reservar uma semana para discutir se mudanças na legislação serão feitas via projeto de lei ou emenda constitucional. Aproveitou para criticar a tentativa de refundação do PL, chamado por ele de "partido fictício". Segundo Cunha, a crise política se agrava quando o governo não faz gestos de aproximação ou até faz gestos no sentido contrário."Não se pode discutir reforma política de verdade criando partido fictício", disse o peemedebista, que defendeu a criação do Rede Sustentabilidade, partido que segundo ele tem base ideológica. 

Cunha foi perguntado sobre o projeto de lei que limita em 20 o número de ministérios e reiterou sua posição, como autor do projeto. O deputado disse que a bancada do PMDB na Câmara já abriu mão de indicar ministro no ano passado e que não teria problema em "abrir mão de todos os ministérios, se for necessário".

Com protagonismo crescente nos últimos meses, o deputado do Rio foi perguntado sobre seus poderes e se era uma espécie de primeiro-ministro. Cunha disse que o que aconteceu nos últimos tempos foi que o poder Legislativo deixou de ser submisso ao Executivo e começou a trabalhar com independência e harmonia. 

O peemedebista é autor de um projeto que criminaliza o preconceito contra heterossexuais, o que cria o Dia do Orgulho Heterossexual. "Daqui a pouco, os heterossexuais se transformarão pela propaganda midiática em reacionários e nós queremos ter a nossa opção pela família sendo alardeada com orgulho", chegou ele a justificar assim sua iniciativa. Dias após assumir a presidência da Casa, Cunha criou uma comissão especial para acelerar a tramitação do Estatuto da Família, projeto do deputado Anderson Ferreira (PR-PE) que reconhece como família apenas os núcleos sociais formados da união de um homem e de uma mulher. 

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