Beto Barata|Estadão
Beto Barata|Estadão

Após se tornar ré, Gleisi afirma que vai provar inocência

Senadora petista afirmou que a denúncia apresentada contra ela é muito frágil, porque é baseada apenas em delações premiadas e não em fatos

Isadora Peron, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2016 | 18h08

BRASÍLIA - A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) afirmou nesta terça-feira, 27, que recebeu com "profunda tristeza" a decisão da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal de torná-la ré na Operação Lava Jato, mas que, a partir desta nova fase do processo, ela terá a oportunidade de provar a sua inocência.

"Recebi com profunda tristeza a aceitação da denúncia contra mim e contra o Paulo (o ex-ministro Paulo Bernardo, seu marido). Mas em seu voto, o ministro relator Teori Zavascki coloca que não tem certeza dos fatos ocorridos, portanto me dá o benefício da dúvida, coisa que eu não tive até agora durante o processo", disse em entrevista no Senado.

A petista afirmou que a denúncia apresentada contra ela é muito frágil, porque é baseada apenas em delações premiadas e não em fatos. "A peça apresentada pela Procuradoria-Geral da República é uma peça muito adjetivada, muito ruim, que força muito a mão para tentar justificar o pedido de denúncia", disse.

Ela também negou ter recebido R$ 1 milhão de propina de contratos firmados entre empreiteiras e a Petrobrás e afirmou não conhecer um dos delatores que citaram o seu nome em depoimentos, o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa. "Eu não recebi esse dinheiro, eu não conheço esses personagens e nunca estive com Paulo Roberto Costa", disse.

A decisão de aceitar a denúncia contra Gleisi e Paulo Bernardo foi unânime. Votaram por torná-la ré os cinco ministros que compõem a Segunda Turma: Teori, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello. Em seu voto, Teori afirmou haver "descrição clara dos fatos" e que o Ministério Público apresentou "elementos concretos" ao apresentar a denúncia.

Com a decisão, Gleisi se tornou a primeira senadora com mandato atualmente alvo de uma ação penal na Laba Jato. As investigações apontam que o dinheiro desviado da Petrobrás foi usado para custear parte da campanha eleitoral da petista em 2010. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.