Após se entregrar, Lins vai para prisão de segurança máxima

Ex-deputado estadual do Rio é acusado de envolvimento na máfia dos caça-níqueis e estava foragido desde sexta

AE, Agencia Estado

20 de agosto de 2008 | 08h14

O ex-deputado estadual e ex-chefe da Polícia Civil do Rio Álvaro Lins se entregou na noite da última terça-feira, 19, na Polinter (Divisão de Capturas), zona norte do Rio. O delegado era considerado foragido desde a semana passada, quando teve prisão decretada pela juíza Márcia Helena Nunes, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), a pedido da Procuradoria da República. Lins perdeu a imunidade parlamentar no último dia 12, quando foi cassado pela Assembléia Legislativa do Rio. Ele foi levado, sem algemas, para o presídio Bangu 8, como é mais conhecida a Penitenciária Pedrolino Werling de Oliveira, de segurança máxima, em Bangu, zona oeste.  Ele é acusado de envolvimento na máfia dos caça-níqueis.   Veja também: Lins tenta no TJ recuperar foro especial Justiça decreta nova prisão do deputado cassado Álvaro Lins Assembléia do Rio cassa mandato do deputado Álvaro Lins Na unidade estão presos o deputado estadual Natalino Guimarães - acusado de chefiar a mais poderosa milícia da zona oeste - e o ex-banqueiro Salvatore Cacciola. Horas antes de se entregar, Lins, por meio do advogado Ubiratan Guedes, entrou no Tribunal de Justiça do Rio com um mandado de segurança contra o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Jorge Picciani, numa tentativa de reverter a cassação. "Revertendo a cassação, a prisão é automaticamente revogada", explicou Guedes. O processo foi distribuído ao desembargador Paulo Leite Ventura, do Órgão Especial do TJ. Até o fim da noite, o desembargador não havia se pronunciado sobre o pedido. Guedes afirmou ainda que Lins não se entregou antes por estar internado numa clínica em crise de depressão grave. "Hoje (ontem) por volta das 18h o médico o liberou por avaliar que ele já estava em condições de enfrentar essa situação", informou. O advogado afirmou que nesta quarta entrará com agravo interno no TRF-2, pedindo a reconsideração da prisão.     Lins foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) sob as acusações de formação de quadrilha armada, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e facilitação de contrabando. O ex-deputado, que chefiou a Polícia Civil do Rio de 2000 a 2006 nos governos de Anthony Garotinho e Rosinha Matheus, todos do PMDB, também enfrenta dois processos administrativos na Corregedoria Geral Unificada, da Secretaria de Segurança Pública, e pode ser expulso do quadro da Polícia Civil.   Lins foi preso no fim de maio durante a operação Segurança Pública S/A, da Polícia Federal (PF). Na ocasião, também foram cumpridos mandados de busca e apreensão na casa de Garotinho, acusado de ter dado sustentação política à "organização criminosa" supostamente comandada por Lins. A prisão, porém, durou pouco - ele foi solto no dia seguinte, por decisão de colegas da assembléia (40 votos a 15), que a consideraram, na época, "ilegal".

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