André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Renan recebe Janot e marca data de sabatina

Presidente do Senado, investigado pela Lava Jato, se encontra com procurador-geral; senador não deve ser alvo das primeiras denúncias

Beatriz Bulla e Isadora Peron, O Estado de S. Paulo

17 de agosto de 2015 | 18h44

Atualizado às 22h42

Brasília - Investigado na Operação Lava Jato, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), recebeu nesta segunda-feira, 17, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para uma conversa sobre a recondução do chefe do Ministério Público ao cargo. No encontro, que durou menos de 15 minutos, o procurador se colocou formalmente à disposição do Senado para ser sabatinado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que precisa avalizar a indicação da presidente Dilma Rousseff de Janot à Procuradoria-Geral da República. 

Após a reunião, Renan anunciou que a sabatina será realizada na quarta-feira da próxima semana e disse que submeterá o nome de Janot à votação no plenário no mesmo dia da sabatina. 

“O relatório será lido esta semana na Comissão de Constituição e Justiça e a sabatina será na próxima quarta-feira (dia 26). Eu vou fazer um esforço para votar no plenário no mesmo dia”, disse Renan, que negou qualquer conversa sobre Lava Jato no encontro com o procurador-geral da República. O mandato de Janot se encerra no próximo dia 17.

Ao deixar o Senado de forma discreta, Janot disse que o encontro foi “institucional” e que foram tratados apenas temas relativos à recondução; o mesmo foi repetido pelo peemedebista. O procurador-geral não pretende visitar outros parlamentares até a sabatina, como fez o atual ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Edson Fachin antes de passar pelo crivo dos senadores.

Rito. Após receber votação expressiva da categoria, com 799 votos dos procuradores da República ante 462 do segundo colocado, e ser indicado por Dilma, Janot vai precisar passar pela sabatina na CCJ e depois por votação secreta no plenário do Senado. A Casa possui 13 senadores investigados por Janot na Operação Lava Jato, entre eles o próprio Renan.

A expectativa é de que Janot passe por uma dura sabatina na CCJ, mas, apesar do clima inóspito na Casa, líderes da base e da oposição descartam a possibilidade de o procurador-geral não ser reconduzido ao cargo. Questionado se havia chance de Janot ser rejeitado na votação de plenário, Renan afirmou acreditar que o processo estava ocorrendo dentro da normalidade esperada. “Eu acho que as coisas estão andando normalmente, tudo que precisará ser feito pelo Legislativo, será feito para finalizar com normalidade esse processo neste momento de preocupação do País”, disse.

Denúncia. O presidente do Senado não deve entrar na lista das primeiras denúncias oferecidas pelo procurador-geral da República ao Supremo Tribunal Federal contra políticos investigados na Operação Lava Jato. A percepção de pessoas próximas ao grupo formado por Janot para coordenar a investigação é de que os depoimentos colhidos até o momento não trouxeram indícios capazes de reforçar a suposta participação do presidente do Senado no esquema de corrupção na Petrobrás. 

A expectativa, portanto, é de que o procurador-geral peça a prorrogação das investigações a respeito de Renan até o fim do mês, sem se manifestar pela denúncia (acusação formal) do presidente do Senado ou pelo arquivamento dos três inquéritos nos quais o presidente do Senado é alvo.

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