Após Santa Tereza, BNDES suspende liberação de recursos

Presidente do banco não revela volume de recursos bloqueados e espera informações da PF para providências

Wilson Tosta, de O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2008 | 17h46

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, afirmou nesta terça-feira, 29, que a instituição suspendeu "prudencialmente" todas as liberações de recursos relativos às duas operações de empréstimo colocadas sob suspeita pela  Operação Santa Tereza, da Polícia Federal. Coutinho não revelou o volume de recursos bloqueados e afirmou esperar informações da PF para tomar outras providências, como a realização de sindicância interna sobre o caso. Os financiamentos suspeitos somam cerca de R$ 350 milhões e foram feitos à prefeitura de Praia Grande (SP) e às lojas Marisa. Um dos presos foi o advogado Ricardo Tosto, que se afastou do Conselho de Administração do BNDES após a deixar a prisão. Indicado para o cargo pela Força Sindical, ele é acusado de intermediar irregularmente as liberações.   Veja Também:PF não cometeu crime em filmagem na Câmara, diz Tarso'Não me preocupei com prisão de advogado de Maluf', diz LulaPF investiga prostituição e encontra fraude no BNDESEspecial: as ações da Polícia Federal no governo Lula "O banco, por prudência, suspendeu os desembolsos nesses dois casos que a gente teve conhecimento", disse Coutinho. "Prudencialmente, transitoriamente, até que a gente tenha informações." Cauteloso, o presidente do BNDES afirmou não poder presumir a culpa de ninguém e fez um apelo público a que os empresários não usem intermediários em seus contatos com a instituição. "O BNDES não credencia, não incentiva nenhum intermediário a liberar projetos e muito menos liberações", afirmou. "Qualquer intermediário que esteja querendo conceder facilidades não corresponde à realidade do BNDES."  Coutinho revelou que na noite da sexta-feira passada, o ministro da Justiça, Tarso Genro, lhe disse não haver indícios de envolvimento de funcionários e diretores do BNDES nas fraudes. Ele esclareceu que os conselheiros são nomeados pelo governo, reúnem-se quatro vezes por ano e têm, entre suas funções, aprovar a estratégia, o orçamento e as grandes linhas de atuação da instituição. Não interferem, declarou, no cotidiano do banco. "O Conselho de Administração é em outro nível, não tem nenhuma incidência sobre o processo de administração", esclareceu. "Eu me sento aqui nesta sala e presto contas ao Conselho." O BNDES, afirmou, tem mecanismos de acompanhamento dos processos. "Existem valores razoáveis para consultores, com correspondência com a complexidade dos projetos", reconheceu. Recursos de comissões teriam sido pagos contra notas frias, a título de remuneração por supostos serviços de consultoria, segundo a PF. "A gente faz o possível, mas a partir de determinado ponto podem acontecer fraudes que estão além da nossa capacidade", reconheceu. Coutinho ressaltou, porém, não querer avançar sem informações da Polícia Federal, para evitar prejudicar terceiros. Também reiterou a posição do banco de colaborar totalmente com as investigações policiais.

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