Após saia justa, diretora da ANP defende Petrobrás

Após saia justa, diretora da ANP defende Petrobrás

Professor homenageado em cerimônia de premiação de iniciativas de inovação tecnológica criticou escândalos na estatal, causando desconforto a membros da Agência que estavam no evento

ANTONIO PITA, Estadão Conteúdo

28 de novembro de 2014 | 19h40

Rio - A diretora da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP), Magda Chambriard, saiu em defesa da Petrobrás, após uma saia justa na cerimônia de premiação a iniciativas de inovação tecnológica na indústria nacional de óleo e gás. O homenageado da noite, professor Luiz Pinguelli Rosa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirmou em discurso que a situação da estatal é "extremamente desagradável" e que "pessoas que cometeram delitos" deveriam se afastar da empresa.

Em resposta, a diretora da agência reguladora afirmou que não se deve fazer "nenhum prejulgamento". "Por parte da ANP, e em resposta ao professor Pinguelli, quero dizer que as pessoas passam e as instituições ficam. É com instituições fortes que construímos um País forte", afirmou a diretora. Pinguelli é o diretor da Coppe, centro de pesquisa na área de energia da UFRJ. Ele foi homenageado pela idealização do polo tecnológico da universidade, que abriga o centro de pesquisas da Petrobras. A construção do centro é uma das obras investigadas pela Polícia Federal na Operação Lava Jato.

Ao discursar, o professor afirmou que "não poderia deixar de comentar" a situação da estatal. "Pessoas que cometeram delitos devem se afastar da instituição, da nossa indústria e da academia. É fundamental que se afastem. Certamente há outros que estão lá", disse. Pinguelli ainda continuou as críticas aos escândalos de corrupção na estatal.

"Curiosamente, enquanto uns roubavam, aumentava-se a produção no pré-sal, que muitos achavam difícil de fazer. Então os engenheiros e técnicos, nós temos que elogiar, e repudiar aqueles que não merecem a confiança do povo brasileiro", completou o professor, que foi bastante aplaudido.

O comentário causou desconforto à diretora Magda Chambriard e também a outros integrantes da diretoria da ANP, presentes no evento. Ao retomar a palavra, a diretora se disse otimista e que acredita "na nossa indústria e no nosso País". "Não devemos fazer nenhum prejulgamento. Há instituições envolvidas nisso, apurando o que tem que ser apurado. Há instituições imbuídas desse trabalho. Precisamos de instituições fortes, reconhecidas, para construir um País forte e reconhecido. É isso que nós todos estamos fazendo aqui", completou.

A premiação destacou inovações tecnológicas da indústria nacional, em parceria com grandes petroleiras. Uma das iniciativas destacadas, voltadas para a produção de componentes submarinos, foi desenvolvida pela Shell no campo de Pijupirá, na Bacia de Campos, em parceria com empresas nacionais, e será aplicada em outros projetos da petroleira no exterior, como o Golfo do México.

"Queremos que a tecnologia do Brasil avance, que a indústria avance, queremos ter massa cinzenta direcionada ao objetivo comum, em prol do nosso País, das nossas instituições, do nossa sociedade", concluiu Magda Chambriard, destacando os avanços na política de conteúdo local. "Já exportamos equipamentos submarinos feitos no Brasil. Isso é a política de conteúdo local dando certo", completou.

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