Marcos Corrêa/PR
Marcos Corrêa/PR

Após rusgas e sob vaias, Doria baixa o tom ao lado de Bolsonaro: 'Amigo dos brasileiros'

Presidente e governador têm primeira agenda juntos após embates

Matheus Lara, O Estado de S.Paulo

11 de outubro de 2019 | 11h36
Atualizado 11 de outubro de 2019 | 17h10

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) e o governador João Doria (PSDB) estiveram lado a lado nesta sexta-feira, 11, em São Paulo, no palco de uma formatura do Curso de Formação de Sargentos da Polícia Militar de São Paulo.

É a primeira vez que os dois se encontram em um evento público desde as últimas declarações críticas de um contra o outro. Em seu discurso nesta sexta, Doria baixou o tom que vinha utilizando ao comentar sua relação com Bolsonaro. Na coxia do palco, conversa apenas protocolar e cordial, de acordo com pessoas que estavam também no local. Nada de fotos ou vídeos juntos como em outros momentos.

Em sua fala, o tucano disse que o presidente, assim como seus ministros, é um "amigo dos brasileiros em São Paulo". "Fiz questão de estar presente para mostrar que o Estado de São Paulo é parceiro das boas ações do Brasil. O que for positivo para o Brasil e para São Paulo,  o governador estará ao lado. Em São Paulo, não fazemos oposição ao Brasil", disse Doria.

Ao ser anunciado no sistema de som do Anhembi, Bolsonaro foi aplaudido pelo público presente de cerca de 5 mil pessoas, de acordo com policiais militares. Tirou fotos com familiares dos formandos e ouviu gritos de "mito", como costuma ser chamado por apoiadores. Doria foi vaiado ao chegar e ao discursar. Enquanto falava, ouviu aplausos ao citar o presidente e ao elogiar os policiais militares. No entorno do governador, a avaliação é de que as vaias aconteceram por causa da presença do senador Major Olimpio (PSL), da reserva da PM e que tem um histórico de oposição aos governos tucanos no Estado. Doria não comentou as vaias.

Bolsonaro, ao discursar, elogiou militares, criticou governos que o antecederam e, ao público, disse que as pessoas são "os únicos a quem deve obediência". Citou protocolarmente Doria no início de sua fala e depois não fez mais menções ao governador. Os dois deixaram o evento sem falar com a imprensa. 

No começo do mês, o tucano disse que "nunca foi bolsonarista", apesar de ter utilizado o slogan "Bolsodoria" no segundo turno da eleição de 2018. Na quinta, em visita ao Estado, o presidente alfinetou Doria e outros cotados para disputar a Presidência com ele em 2022. Em tom de brincadeira, Bolsonaro disse desejar que seus futuros adversários sejam "felizes".

Bolsonaro já chegou a dizer que Doria "está morto" (para 2018) e que o governador era uma "ejaculação precoce" na política. Não tem, em sua avaliação, apoio popular. Veja a cronologia do fim do "Bolsodoria".

A presença de Doria no evento desta sexta era dúvida até horas antes da formatura, quando o compromisso apareceu em sua agenda oficial. Aliados do presidente criticaram o governador. "O presidente é educado e o governador também. Protocolarmente, eles devem conversar. Mas com o Doria é como comprar um carro usado e dizer que nunca foi usado", disse o senador Major Olimpio (PSL) antes do evento.

"Bolsonaro está nesse momento se deslocando para a mesma formatura que o governador João Doria não iria e agora de última hora resolveu comparecer", escreveu o deputado estadual Gil Diniz (PSL) no Twitter também antes do evento.

Alberto Mendes Junior. Em seu discurso, Bolsonaro citou o tenente Alberto Mendes Junior, executado em 1970 na selva do Vale do Ribeira, em São Paulo,  por um grupo de guerrilheiros da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) liderados pelo ex-capitão do Exército Carlos Lamarca.

"Também sou do Vale do Ribeira. Por lá passou o tenente Alberto Mendes Junior, herói do Brasil. Combatemos a esquerda que queria roubar nossa liberdade. Perderam."

O corpo do tenente só foi encontrado meses depois, com a prisão de um dos integrantes da VPR. Mendes Junior é tratado como herói na PM, que não deixa passar em branco o 10 de maio, data da morte de Mendes.

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