Após reunião no Alvorada, vice-líder do governo fala em remontar base na Câmara

Beto Mansur (PRB-SP) admitiu que a turbulência política deve levar ao atraso no cronograma de reformas no Congresso

Breno Pires, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2017 | 21h08

BRASÍLIA - O presidente da República, Michel Temer (PMDB), recebeu o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ministros e deputados da base do governo, logo após o pronunciamento televisivo que fez na tarde deste sábado, para um almoço que entrou pela noite. Ao sair do encontro um dos vice-líderes do governo na Câmara, Beto Mansur (PRB-SP), admitiu que a turbulência política na qual o governo se encontra deve levar ao atraso no cronograma de reformas no Congresso, mas defendeu Temer e falou que é momento de "remontar a base".

"É lógico que você teve uma turbulência de quinta-feira para cá. E a gente tem que remontar a base e conversar com as lideranças. Eu acho que o presidente fez um discurso, fez uma fala muito consistente hoje e que inclusive nos dá respaldo para que a gente possa defender o presidente e defender as instituições dentro do plenário da Câmara e para toda a sociedade brasileira. Vamos tentar remontar a base esta semana", disse o deputado.

Mansur admitiu que a votação da Reforma da Previdência, que o governo queria ver feita no fim do mês, pode ser adiada até duas semanas.

"Agora pode ter um atraso. A gente tinha previsão de votar a reforma da previdência até o final do mês. Mas esta semana a gente vai ter que sentir um pouco o plenário e fazer um levantamento que a gente vinha fazendo. Aí para dar uma resposta a vocês se vai se manter o cronograma para o final do mês ou eventualmente passar uma ou duas semanas para a frente", disse.

Outro líder do governo presente, Darcísio Perondi (PMDB-RS),  falou que após "surpresa perplexa" na quarta-feira, há uma reação. "Nós estamos mantendo a base unida. É normal que alguns deputados se assustem e se preocupem, mas o governo e os líderes do governo estamos trabalhando. O momento é grave, o presidente tem responsabilidade", disse.

"O Ministério Público Federal analisou as fitas e não consultou a Polícia Federal. Será que o MP não acredita mais na Polícia Federal?", polemizou Perondi sobre o áudio do encontro entre Temer e Joesley Batista, delator que gravou o presidente.

 

Estiveram presentes os ministros Moreira Franco, da Secretaria-Geral da Presidência, Antônio Imbassahy, da Secretaria de Governo, Mendonça Filho, da Educação, Maurício Quintella, dos Transportes, além de Eliseu Padilha, que voltou de viagem a Brasília no fim da tarde. Eles não falaram com a imprensa na portaria. Entre deputados, houve representantes de PR, como o líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro DEM, PRB, PSDB, PP, PTN (Podemos) e PMDB, como Lúcio Vieira Lima (BA).

PSB. A ausência de partidos da base na reunião ficou por conta do PSB, cuja executiva nacional anunciou, após reunião nesta tarde, a saída definitiva da base do governo e resolveu fechar questão em favor de uma PEC para eleição direta. Porém, o ministro do PSB no governo, Fernando Filho, de Minas e Energia, foi ao encontro de Temer no Alvorada na noite deste sábado junto com o pai, o senador Fernando Bezerra Coelho.

Fernando Filho ainda não definiu se permanece ou entrega o cargo. O ministro havia pedido um prazo de 24h para pensar, e já se passaram 48h, como apontou o partido, que espera um posicionamento. A decisão de Fernando Filho pode ficar para ser anunciada na próxima segunda-feira.

Sobre a saída do PSB da base do governo, o deputado Beto Mansur - que saiu antes da chegada de Fernando Filho - afirmou que deputados continuariam votando pelas reformas.

"O único partido que acabou saindo da base foi o PSB, mas ele sai pela metade, nós não vemos nenhuma saída além do PSB. Os dirigentes do PSB, eles, pelo que a gente vê, lógico que a gente respeita o partido, mas eles não tão refletindo o que está acontecendo nas votações no plenário. Metade está votando nas reformas", disse Mansur.

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