Após reunião de duas horas, Roberto Jefferson diz que foi oferecer um ombro amigo a Temer

Ex-condenado do mensalão diz que foi levar apoio da bancada do PTB ao presidente e que peemedebista se sente atacado e injustiçado

Carla Araújo, Tânia Monteiro e Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2017 | 21h28

BRASÍLIA - Após duas horas de reunião com o presidente Michel Temer, o presidente do PTB, Roberto Jefferson, afirmou que foi ao Palácio do Planalto "enconstar o ombro" no "amigo" peemedebista. "Amigo tem que ser em todos os momentos, na alegria e na tristeza. Nós viemos (ele e deputados do PTB) encostar o ombro com ele e dizer que nós estamos juntos", disse ele. Jefferson foi condenado a 7 anos e 14 dias de prisão pelo Supremo Tribunal Federal por crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Jefferson afirmou que sua visita serviu para reafirmar apoio do partido ao governo. Ele reconheceu que parte da bancada não tem sido fiel por haver uma luta interna, mas que a "grande maioria está indo bem". "Temos quatro deputados que não têm acompanhado muito a gente", disse. O PTB tem atualmente 19 deputados em exercício, sendo dois licenciados.

Para Jefferson, a rebeldia dos que não votam com o governo se explica pela pressão que os parlamentares sofrem em relação às reformas. "Infelizmente alguns têm mais preocupações, não resistem às pressões e não têm enfrentado o tema", disse. "Eles sabem que são temas importantes, que as reformas são fundamentais para o País andar, mas temem a repercussão momentânea, mas a maioria do partido tem vindo conosco na orientação da presidência e da liderança."

Jefferson disse que durante a reunião vários pastores ligados ao partido fizeram citações bíblicas. "Na crise orai, na bonança cantai louvores. E eu quero cantar louvores", disse. Segundo ele, depois de ouvir as mensagens, Temer lembrou que, apesar de estar sendo atacado, "não vai perder a crença nas instituições, mesmo que se sinta injustiçado" e que não se rebelará contra a imprensa nem contra a Justiça.

Embalado por críticas ao executivo da JBS, Joesley Batista, Jefferson disse ainda que o partido vai recusar eventual denúncia que a Procuradoria-Geral da República possa apresentar na Câmara. "Tomara que não cheguemos a isso. Essa tentativa de levar a denuncia ao plenário da Casa", disse.

Segundo ele, Temer revelou que acredita que está sendo atacado institucionalmente e pessoalmente, e que as acusações são absolutamente injustas. Temer é investigado pelo Supremo Tribunal Federal por crimes de organização criminosa, corrupção passiva e obstrução da Justiça. "Ele não deu nome às pessoas", afirmou. 

O presidente do PTB disse ainda que em nenhum momento da conversa foi tratada a questão de que o presidente admitiu ter usado um jatinho do executivo da JBS. "Isso não foi o tema da nossa conversa. Ninguém tratou de viagem de avião, viemos falar das denuncias do grupo de seu Joesley", disse.

Açodamento. Jefferson evitou dizer que o Ministério Público está perseguindo o presidente, mas ressaltou que "parte do MP está sendo extremamente açodada". Para ele, esse açodamento deve arrefecer após o fim do julgamento da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). "Nós entendemos que, passada essa decisão do TSE, essa pressa também acaba. Uma coisa está em função da outra. Tudo isso existe para pressionar uma decisão no TSE; essa é a nossa impressão", disse.

 

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