EVARISTO SA/AFP
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Após retaliação de Renan, Dilma defende ajuste fiscal a senadores

Em sua fala, a presidente destacou a importância da aprovação das medidas que já foram encaminhadas ao Congresso e da necessidade de elas serem aprovadas o quanto antes

Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo

04 de março de 2015 | 14h55

Brasília - Em discurso para os senadores líderes dos partidos da base aliada, no Palácio do Planalto nesta quarta-feira, 4, a presidente Dilma Rousseff defendeu a necessidade de aprovação das medidas que estão em tramitação para garantir o ajuste fiscal. "Ela falou da importância do ajuste e mostrou que, no segundo trimestre, com as contas alinhadas, o Brasil voltará a crescer", disse o senador Acir Gurgacz (PDT-RO) ao Estado, um dos nove senadores presentes ao encontro, que durou uma hora e meia. Dilma mostrou-se disposta conversar com mais frequência com os parlamentares e marcou para segunda-feira, 17 horas, novo encontro com os senadores.

A iniciativa da presidente ocorre um dia após ela vivenciar um dos momentos mais tensos com o presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL), que devolveu para o governo, sem votar, a MP 669, que trata da redução das desonerações tributárias nas folhas de pagamento de vários setores. Encaminhada ao Congresso na sexta-feira, 27 de fevereiro, a proposta integra as medidas tomadas pelo governo na tentativa de equilibrar as contas da União num cenário de declínio na área econômica.  Renan devolveu a proposta no mesmo dia em que foi divulgado que seu nome consta da lista de investigados na Lava Jato pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot.


Em sua fala, a presidente lembrou do Projeto de Lei com urgência que encaminhou ao Congresso na terça mesmo, em substituição da MP das desonerações, e destacou a importância da aprovação das medidas que já foram encaminhadas ao Congresso e da necessidade de elas serem aprovadas o quanto antes. "A presidente disse que mandou o projeto de lei das desonerações para ser discutido e debatido, mas ajuste é necessário e é importante para o País", insistiu Dilma, segundo Gurgacz. 

Na reunião, a presidente Dilma foi advertida ainda pelos senadores sobre a pressão que os parlamentares estão sofrendo das ruas. O senador Blairo Maggi (PR) foi quem mais bateu nesta tecla, ressaltando que o governo precisa estar mais atento à comunicação. Os senadores falaram ainda do problema enfrentado pelos caminhoneiros, que lembraram ser uma categoria importante, que precisa de uma atenção especial porque eles mobilizam o País, já que a maior parte dos produtos do País é transportado por estradas. Dilma apenas teria ouvido as observações.

Depois, de Dilma, foi a vez do ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, defender as Medidas Provisórias que torna mais rigoroso o acesso a benefícios sociais. Segundo o senador Gurgacz, Mercadante ressaltou que "o governo não está mexendo em direitos trabalhistas, mas corrigindo excessos". Na reunião, os senadores citaram que talvez este prazo de 18 meses para o início da concessão do seguro desemprego seria longo demais, sugerindo que ele fosse reduzido. O senador Gurgacz, por exemplo, defende 12 meses. Este assunto voltará a ser tratado na nova reunião de segunda feira com senadores, no Planalto.

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