ESTADAO CONTEUDO
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Após resistência, presidente do PP desiste de cirurgião para a Saúde

Ciro Nogueira diz que Raul Cutait não será o nome da sigla em eventual governo de vice depois de bancada fazer ameaça

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2016 | 08h30

BRASÍLIA - Após pressão da bancada da Câmara, o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI), disse a deputados que desistiu de indicar o cirurgião paulista Raul Cutait para o cargo de ministro da Saúde em um eventual governo Michel Temer. O médico chegou a ser convidado por Nogueira e tinha aceitado o convite, mas teve o nome vetado pela bancada, que quer que um deputado seja indicado para o cargo.

Aliados de Temer chegaram a anunciar na terça, 3, que Cutait tinha acatado o convite e seria indicado para o comando da Saúde, caso Temer assumisse. “Extraoficialmente, ele (Cutait) confirmou”, anunciou Eliseu Padilha, apontado como futuro ministro-chefe da Casa Civil de Temer, de passagem pelo Senado.

A bancada do partido na Câmara, no entanto, reagiu à indicação e ameaçou não apoiar Temer na Casa. “Vamos questionar ao Ciro, e eles vão ter de ver. Pior é ele (Temer) não ter os votos (da bancada) aqui na Câmara”, afirmou um influente pepista sob condição de anonimato. Deputados do PP temiam não conseguir indicar seus aliados para ocuparem os terceiro e quarto escalões da Saúde, caso Cutait fosse o ministro.

Segundo parlamentares da sigla, o cirurgião tinha colocado como condição para assumir a pasta que todas as indicações para cargos técnicos fossem feitas por ele. Deputados que conhecem o cirurgião dizem que ele pretendia trazer para o ministério outros médicos que, assim como ele, trabalham no Hospital Sírio-libanês, um dos mais importantes hospitais do País. Cutait também é professor de cirurgia da Universidade de São Paulo (USP).

Na avaliação de parlamentares do PP, a indicação de um deputado para o cargo de ministro da Saúde facilitaria as indicações políticas na pasta. O nome mais defendido entre os integrantes da bancada é o do deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), advogado que foi relator do Orçamento da União de 2016. A cúpula do PP dizia, no entanto, que atendia a um pedido de Temer ao indicar Cutait. A Saúde faz parte do ministério de “notáveis” que ele quer montar em seu eventual governo. “Esse governo não é legitimado pelo voto, então precisa se segurar no Congresso. O que um notável ia ajudar nisso?”, questionou um influente deputado do PP.

Reação. Deputados peemedebistas também reivindicavam o posto. A bancada controlava a pasta até o dia em que o partido rompeu oficialmente com a presidente Dilma.

Ontem, o líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), procurou Temer. Segundo interlocutores do líder, vários parlamentares possuem indicações no terceiro e quarto escalões da Saúde. “Precisamos realocar essas indicações”, cobrou um deles.

O deputado Marco Antônio Cabral (RJ), considerado da cota do PMDB do Rio de Janeiro, é cotado para assumir o Ministério do Esporte. Osmar Terra (RS), da ala do partido que disputou contra Picciani a liderança do partido na Câmara neste ano, foi sondado para assumir alguma pasta ligada à área social. / COLABOROU RICARDO BRITO

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