Após renúncia, Roriz diz que foi vítima de ´esquema´

Em ato de desagravo, realizado neste sábado, 7, em frente à sua casa, o ex-senador Joaquim Roriz (PMDB-DF) disse que renunciou ao cargo porque estava sendo vítima de um "esquema" previamente preparado contra ele. "Eu não tinha outra alternativa a não ser a que tomei, porque já estava tudo preparado. O esquema estava montado. Mas eu percebi e renunciei para vir às ruas", disse. Apesar de ter sido divulgado com antecedência, o ato não juntou mais do que 200 pessoas, mesmo Roriz tendo sido governador do Distrito Federal por quatro vezes. O correligionário Rafael Moraes, exercendo o papel de animador para estimular as pessoas presentes, atribuiu a pouca presença de admiradores de Roriz no local ao custo das passagens de ônibus."O desemprego está tão grande no País, que o povo não tem dinheiro nem para vir aqui lhe der um abraço", disse ele ao ex-senador em discurso durante a manifestação. O ex-senador pediu a seus simpatizantes que reajam sem violência ou a agressão a sua renúncia. "Eu voltei para o lado o povo onde sempre estive. Voltei para a planície para ficar junto do meu povo fiel e leal. Meu coração está partido, de um lado, com a traição; mas do outro, ao dever de lutar pelo meu povo", disse.Antes de retornar para sua casa, a mulher de Roriz, Weslian puxou a oração do Pai Nosso e da Ave Maria acompanhada pelos que estavam presentes. No dia anterior, Roriz combinou com o ex-deputado federal e seu aliado Wigberto Tartuce para que divulgasse na sua emissora de rádio uma gravação sua, convidando manifestantes para a porta de sua casa."Tenho recebido diversas manifestações de solidariedade em função da minha renúncia ao Senado Federal. Agradeço cada palavra de carinho, cada oração, cada gesto de solidariedade. Peço desculpas por não ter tido condições de atender a todos, mas neste sábado, às 10 horas, estarei recebendo em minha residência os amigos e amigas que quiserem me visitar", disse Roriz na gravação.Além disso, um bilhete, assinado pelo ex-senador, preso no portão de sua casa também prevenia a quem passasse por ali que estaria "recebendo os amigos e amigas que queiram me visitar".Roriz decidiu renunciar ao mandato para poder driblar a abertura do processo de cassação por quebra de decoro parlamentar pelo Senado. A mesa diretora do Senado já decidira que ele seria investigado pela suposta participação numa partilha de cerca de R$ 2,2 milhões em recursos do Banco de Brasília (BRB). Para evitar a cassação, que lhe suspenderia os direitos políticos por cerca de 15 anos (o restante dos 7 anos e meio de mandato que ainda tinha a cumprir e mais oito de inelegibilidade como punição pela eventual quebra de decoro), Roriz antecipou seu movimento.Com 70 anos, sabia que a cassação encerraria sua carreira política e preferiu preservar os direitos políticos, abrindo a possibilidade de disputar a eleição para o governo do Distrito Federal em 2010.

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