Após renúncia, Câmara deve escolher novo corregedor até 4ª

Edmar Moreira, dono de castelo, não resistiu à pressão e apresentou no domingo pedido para deixar cargo

da Redação,

09 de fevereiro de 2009 | 13h02

A Câmara convocará nova eleição para 2º vice-presidente da Mesa Diretora esta semana. Segundo informações da Agência Câmara, o presidente da Casa, Michel Temer (PMDB-SP), informou que deve convocar a nova eleição até quarta-feira, 11.  O deputado Vic Pires Franco (DEM-PA), que foi atropelado pela candidatura avulsa de Moreira na primeira eleição, deve de novo ser lançado ao posto.   Moreira não resistiu à pressão política e apresentou no último domingo pedido de renúncia do cargo de segundo vice-presidente da Câmara. Como a corregedoria da Câmara é vinculada a essa vice-presidência, ele também abriu mão automaticamente dessa função. A suspeita de não ter declarado à Justiça Eleitoral a posse de um castelo em Minas, avaliado em R$ 25 milhões, tornou insustentável sua situação.   Veja também: Ex-corregedor culpa DEM por renúncia  Deputado dono de castelo se rende a pressão e renuncia a cargos Perfil: Quem é Edmar Moreira, dono do castelo  Enquete: você fiscaliza os políticos em quem votou?   Todas as notícias sobre o caso Edmar Moreira Veja quem são os membros da Mesa Diretora da Câmara  Fac-símile: 'Estado' publica matéria sobre o caso em 1993  A sucessão dos presidentes do Senado    Blog: acompanhe os principais momentos das eleições na Câmara e no Senado    Em sua carta de renúncia ao cargo de 2º vice-presidente da Câmara, o deputado Edmar Moreira (DEM-MG) afirma que seu afastamento se dá em razão da "ausência de respaldo" do próprio partido para o exercício do cargo, informa a Agência Brasil. No documento que foi encaminhado no último domingo ao presidente da Casa, Michel Temer (PMDB-SP), e divulgado nesta segunda-feira, 9 à imprensa, Moreira se diz vítima de "inverídicas imputações" e que seu desligamento do cargo na Mesa Diretora é irretratável.   Denúncias   A crise envolvendo o parlamentar, porém, se agravou no fim de semana com a suspeita de que teria usado de maneira irregular a verba indenizatória da Câmara nos últimos dois anos. A nova denúncia contra Moreira dá conta de que ele teria utilizado R$ 245,6 mil de sua verba indenizatória em serviços de segurança particular, justamente seu ramo de atuação. O dinheiro é destinado a gastos com o mandato no Estado do parlamentar. A verba indenizatória é de R$ 15 mil mensais e, normalmente, os deputados pedem ressarcimento de gastos com combustíveis, consultoria, impressos e aluguel de escritório. Em 2008, o parlamentar do DEM utilizou com serviço de segurança R$ 140 mil. Além dessa nova suspeita, Moreira não declarou à Justiça Eleitoral a posse de um castelo, avaliado entre R$ 20 milhões e R$ 25 milhões. O imóvel tem 36 suítes. Ele também foi denunciado pelo Ministério Público por apropriação indevida de contribuições ao INSS recolhidas por funcionários de uma empresa de vigilância que teve durante mais de 30 anos. A crise envolvendo o parlamentar, conhecido defensor de deputados acusados de quebra de decoro no Conselho de Ética, começou quando ele próprio deu uma declaração polêmica na semana passada. Moreira defendeu a ideia de que deputados passassem a ser julgados apenas pelo Judiciário e não mais pela própria Casa, respaldado no que chamou de "vício da amizade".   Presidente do DEM, o deputado Rodrigo Maia (RJ) também já dá como certa a expulsão de Moreira do partido em uma reunião da Executiva Nacional marcada para amanhã. Ele também defendia a saída de Moreira das duas funções na Câmara.   (Com Ana Paula Scinocca, de O Estado de S. Paulo)  

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