Após Renan, oposição no Senado promete radicalizar com CPMF

Absolvição abre conflito entre governo e oposição; Planalto quer prorrogação do 'imposto do cheque'

NATUZA NERY, REUTERS

12 de setembro de 2007 | 18h58

A absolvição do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), abriu um conflito entre governo e oposição, que promete obstruir votações de interesse do governo e radicalizar contra a proposta de prorrogação da CPMF. "Se tivermos vergonha, temos que engrossar com a CPMF. Vamos radicalizar, porque esse nível de promiscuidade na base aliada não pode continuar", afirmou o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), logo após a decisão que livrou Renan de perder o mandato.  Veja também:Especial: Renan escapa da cassação por 40 a 35 Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan  'Absolvição macula política brasileira', diz especialista  Galeria de imagens: confusão, soco e discussões Confusão, soco e discussões marcam 'julgamento'   Blog do Piza: Indecorosa absolvição   'Calvário não é só de Renan, é do Senado'PT nega articulação para absolver Renan 'Vou para a igreja rezar', diz Renan após absolvição Deputados e senadores trocam socos antes de sessão Ouça áudio do tumulto no Senado  Fórum: dê a sua opinião sobre a decisão do Senado Enquete: você concorda com a absolvição de Renan?     A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que estende a cobrança da CPMF aguarda votação de uma comissão especial da Câmara. A proposta precisa ser aprovada também pelo plenário da Casa, em dois turnos e com 308 votos favoráveis, para só então seguir ao Senado. O governo quer prorrogar a CPMF até 2011 com a alíquota de 0,38%. A estimativa de sua arrecadação para 2008 é de 39 bilhões de reais. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que a não prorrogação da CPMF seria uma "tragédia". Renan foi absolvido por 40 votos a 35 e 6 abstenções do primeiro processo no qual é acusado de ter despesas pessoais pagas por um lobista. Ele ainda responde a três outras acusações.       A avaliação geral é de que o Senado continuará sangrando com a permanência de Renan Calheiros na presidência, complicando a vida do governo em assuntos polêmicos, caso da CPMF.  Os tucanos e os democratas fecharam questão pelo fim da contribuição. Se esse comportamento se mantiver nos próximos meses, são grandes as chances de derrotar o Planalto, já que são necessários apenas 33 votos no Senado para arquivar a PEC. Juntos, DEM e PSDB têm 30. "Não acredito em clima para nada aqui, muito menos para a CPMF, e nós temos posição fechada sobre isso", argumentou o senador José Agripino (DEM-RN).  O governo já foi avisado das dificuldades de aprovar a PEC no Senado. Na Câmara, onde tem maioria folgada, os problemas se revelaram maiores que o esperado, a ponto de fazer com que a equipe econômica estudasse negociar concessões.  Licença do cargo Aliados políticos de Renan vão convencê-lo a pedir uma licença ou férias de 30 dias para que seja articulada a retomada da normalidade na Casa. Apesar dessa negociação em curso, a oposição não pretende dar trégua e senadores do PSDB acusaram o PT de ter absolvido Renan com as seis abstenções. "O PT deu os seis votos da abstenção. O PT não teve coragem de mostrar a cara e usou a abstenção", afirmou o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), que em novembro deve assumir o comando do partido.  O discurso dos tucanos responsabilizando o PT foi reforçado com a declaração de voto do senador Aloizio Mercadante (PT-SP), que se absteve e foi acusado de ter comandado a operação em favor da abstenção no plenário. Ao final, o petista ainda defendeu a licença de Renan do cargo de presidente.  "Agora todo mundo é corajoso", reagiu Sergio Guerra. O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) afirmou que, como ainda há processo contra Renan em tramitação no Conselho de Ética, o peemedebista ainda pode ser condenado. "Vamos conseguir cassá-lo", disse Torres. Além do PSDB, outros senadores atribuíram a vitória de Renan ao PT. "É evidente que os votos saíram do PT", concluiu a senadora Patrícia Saboya (PSB-CE). O placar final já era esperado por conta das articulações no plenário durante a sessão. Antes do início da sessão secreta a senadora Roseana Sarney (PMDB-MA) comentou com senadores que, pelas estimativas, havia um empate: 40 senadores eram favoráveis à cassação e outros 40 à absolvição e que seria feito um trabalho em plenário em favor da manutenção do mandato de Renan. O líder do DEM no Senado, Agripino Maia (RN), disse  que seu partido continuará obstruindo obstrução na casa porque não concorda em ter as sessões presididas pelo senador Renan. (Com Cida Fontes, do Estadão)

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