Após recusar Esporte, PRB pode ficar com Ministério do Turismo

Então cotado para voltar ao ministério, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) deve assumir o Ministério do Desenvolvimento

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2016 | 06h34

BRASÍLIA - Com a recusa do PRB de indicar o futuro ministro do Esporte, o vice-presidente Michel Temer estuda dar ao partido o comando do Ministério do Turismo de seu futuro governo. Pelo desenho que está sendo elaborado pelo peemedebista, o ex-ministro e ex-deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), até então cotado para o Turismo, assumiria o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

A informação foi confirmada ao Broadcast Político, serviço de informações da Agência Estado, na noite de terça-feira, 10, por aliados de Temer, entre eles dois ministeriáveis e um deputado federal que frequenta diariamente o Palácio do Jaburu, residência oficial da vice-presidência. Segundo esses aliados, esse é o desenho mais provável, mas o martelo só será batido nesta quarta-feira, 11, quando o Senado deve aprovar o afastamento da presidente Dilma Rousseff. 

A bancada do PRB no Congresso Nacional recusou a oferta de Temer para que o partido indicasse o ministro do Esporte de seu futuro governo. Entre outros motivos, a bancada disse acreditar que os Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro, principal vitrine da Pasta, poderá ter problemas. Eles lembram que já há várias obras relacionadas ao evento embargadas. 

"Além disso, a pessoa que conhecia a real situação dos jogos saiu do partido", disse Marcos Pereira, referindo-se ao ex-ministro do Esporte de Dilma e deputado federal George Hilton (MG). O parlamentar migrou do PRB para o PROS em março deste ano, após seu antigo partido deixar a base aliada da petista. Todos os 22 deputados do PRB votaram a favor do impeachment de Dilma na Câmara. 

Temer ofereceu o Esporte ao PRB, após decidir fundir o Ministério da Ciência e Tecnologia, Pasta até então destinada ao partido, com as Comunicações. A fusão faz parte da estratégia do peemedebista de reduzir o número de ministérios de seu futuro governo. A Pasta resultante da fusão deverá ficar com o PSD, que indicará como ministro o presidente do partido, Gilberto Kassab. O dirigente comandou o Ministério das Cidades no governo Dilma.

O objetivo inicial do PRB era tentar ficar com o Ministério da Agricultura, que foi oferecido ao PP. Para demover o partido da ideia, Temer chegou a oferecer outros dois ministérios (Previdência Social e Portos) ao PRB, antes de a sigla finalmente aceitar Ciência e Tecnologia. A legenda indicaria Marcos Pereira para o posto. O nome dele, porém, enfrentou resistência na comunidade acadêmica, pelo fato de ser bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus. 

Com a acomodação do PRB no Turismo, o ministério do Esporte deve voltar para o PMDB do Rio de Janeiro, como negociado inicialmente entre Temer e o presidente da Assembleia Legislativa do Estado, deputado estadual Jorge Picciani. A ideia é indicar o líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), filho de Jorge, como ministro do Esporte.

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