Após rebelião do PMDB, Lula se reúne com líderes no Planalto

O partido da base se uniu à oposição para derrubar a MP que criava secretaria de Mangabeira Unger

Cida Fontes, do Estadão

27 de setembro de 2007 | 13h43

Depois da derrota que o PMDB impôs na última quarta-feira ao Planalto, no plenário do Senado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu nesta manhã com o líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR). Num recado a Lula, o PMDB se uniu à oposição para derrubar a Medida Provisória que criava mais de 600 cargos no governo e a Secretaria de Planejamento de Longo Prazo.   A rebelião dos peemedebistas também foi discutida em um encontro mais amplo com o ministro de Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia. Além de Jucá, participaram da reunião, o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), a líder do governo no Congresso, Roseana Sarney (PMDB-MA), o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, e o líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN).     Na avaliação de Jucá, a reação da bancada no Senado teria sido contaminada pela Câmara, onde o partido só aprovou a Contribuição Provisória de Movimentação Financeira (CPMF) depois que os cargos e liberação de recursos provenientes de emendas ao Orçamento foram garantidos por Mares Guia.   Entre os cargos extintos, com a rejeição da MP, estão postos na Sudene, na Sudam, Casa Civil, Secretaria da Relações Institucionais, Gabinete da Presidência, Advocacia Geral da União e Ministérios do Turismo e do Planejamento.   "Se os senadores que rejeitaram a medida provisória quiseram dar um recado de que tem uma demanda com o Executivo, eles não devem ser atendidos, porque essa não pode ser a relação da base aliada com o governo", disse o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, que também está reunido no Planalto.   A insatisfação não está localizada apenas no PMDB. "Quantas emendas orçamentárias foram executadas?", perguntou o senador Renato Casagrande (PSB-ES), mostrando que isso é foco de revolta entre os parlamentares.       Renan admite   O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), admitiu nesta quinta-feira, 27, que a decisão que levou seu partido a ajudar a derrubar a  MP foi manifestação de "insatisfação", segundo a rádio CBN. A bancada do partido está insatisfeita com nomeações do PT no loteamento de cargos públicos.   No entando, Renan nega que a rejeição esteja relacionada com a sua situação no Senado.   Renan é alvo de três processos no Conselho de Ética no Senado. Ele é acusado de beneficiar uma cervejaria, ser dono oculto de duas rádios em Alagoas e participar de esquema de propina envolvendo membros do PMDB.  

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