Após 'rebelião' do PMDB, base tenta retomar votação da CPMF

Partido da base aliada deixou claro o descontentamento com as nomeações petistas para a Petrobras

Denise Madueño, do Estadão,

25 de setembro de 2007 | 13h59

O líder do governo na Câmara, José Múcio Monteiro (PTB-PE), se reúne com os líderes da base na tarde desta terça-feira, 25, para avaliar se será possível retomar as votações de emendas e destaques à proposta que prorroga a cobrança da CPMF, depois que o PMDB se rebelou por causa das nomeações de petistas para a Petrobras, na semana passada.  Veja também:Especial sobre a CPMF  PMDB ameaça 'dar susto' na votação da CPMF O presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), também recebeu em sua residência oficial os líderes dos partidos de oposição para tentar um acordo para retomar as votações. Múcio Monteiro estava presente. A oposição vem obstruindo as votações, usando diversos mecanismos regimentais. Chinaglia alertou a oposição de que o regimento da Casa poderá ser alterado, caso haja excesso na obstrução dos trabalhos no plenário.  As nomeações dos petistas José Eduardo Dutra para a diretoria da BR Distribuidora e de Maria das Graças Foster para a diretoria do Gás da Petrobras provocaram a rebelião na bancada do PMDB. Os focos de insatisfação da base, que haviam diminuído na semana passada, pioraram com o atendimento apenas do PT na distribuição de cargos. No entendimento anterior, nenhum partido aliado seria contemplado com cargos antes da primeira votação da CPMF.  "Não há quem consiga resolver aqui (Câmara) a inabilidade do lado de lá (Casa Civil)", afirmou o deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), vice-líder do governo na Câmara. Albuquerque afirmou que na reunião será avaliado "o humor, a disposição e a convicção" dos aliados para a votação desta terça-feira. A primeira sessão extraordinária da Câmara convocada para a continuação da votação da CPMF se iniciou hoje com debates. O PMDB quer a diretoria de relações internacionais da Petrobrás, mas, ao contrário do PT, não conseguiu ainda emplacar seu indicado José Augusto Fernandes. Demais partidos da base que concordaram em votar a favor da CPMF esperando nomeações depois da aprovação da proposta terão de ser convencidos novamente a dar crédito ao governo. Muitas sessões Além da queda de braço na própria base, o governo terá de enfrentar várias votações até a conclusão da aprovação da emenda. Na segunda-feira, 24, à noite, a Secretaria da Mesa concluiu uma nova avaliação das emendas aglutinativas apresentadas à proposta e dos destaques que exigem votação de pontos separados. São 33 emendas e 10 destaques, o que significa 43 votações nominais para concluir a aprovação da proposta. Um dos destaques vai exigir que o governo tenha 308 votos para manter a prorrogação da cobrança da CPMF. O PSDB apresentou esse destaque retirando do texto aprovado na semana passada o artigo que trata da CPMF. Ricardo Barros vai argumentar que muitas das emendas aglutinativas e dos destaques não poderão ser aceitos para tentar reduzir o número de votações. "Vamos fazer esse debate baseado no regimento", afirmou Barros. O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), marcou nove sessões para continuar a votação da CPMF. Três nesta terça-feira, 25, a primeira começando às 12h, e outras três na quarta e na quinta-feira. O líder José Múcio Monteiro afirmou que a intenção é concluir a votação em primeiro turno nesta semana.  No Senado Componentes.montarControleTexto("ctrl_texto") O presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE),disse nesta terça-feira, 25, que a oposição não aceita fazer acordo com a base aliada se não houver o compromisso de ser colocada em votação a proposta de emenda constitucional que acaba com o voto secreto, na votação de processos de perdas de mandato.  "Sem o fim do voto secreto, não tem negociação", afirmou Tasso.     O líder do governo no Senado, senador Romero Jucá (PMDB-RR) vai se reunir nesta tarde com líderes dos partidos de oposição, em busca de um acordo para o fim da obstrução das sessões. Jucá afirmou que ninguém quer uma queda de braço, mas sim um entendimento.    Ele vai propor no encontro, que depois da desobstrução da pauta o primeiro item a ser votado seja o projeto de resolução que prevê sessão aberta e não secreta, como é atualmente, para julgamentos de senadores com processo. Só depois disso, segundo Jucá, é que se iniciará a discussão da PEC do voto secreto.   

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