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CENÁRIO: Após rebaixamento, Planalto corre para não perder empresariado

Governo está pressionado a recuperar apoio no Congresso e não perder o que lhe resta de suporte de empresários; oposicionistas e governistas apostam no aumento das movimentações em favor do impeachment

Adriano Ceolin, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2015 | 02h02

A presidente Dilma Rousseff precisará dar uma resposta rápida à deterioração política e econômica do seu governo. Com o rebaixamento da nota do Brasil pela agência de risco Standard & Poor's, oposicionistas - e até governistas - apostam no aumento das movimentações em favor do impeachment. O Palácio do Planalto está pressionado a recuperar o apoio no Congresso e não perder o que lhe resta de suporte do empresariado. Nos dois casos, a crise maior é de credibilidade.

A decisão da S&P pode fazer os empresários abandonarem Dilma, aderindo à tese da oposição. Principal partido da coalizão governista, o PMDB só não embarcou inteiro na tese de afastamento da presidente porque se "sensibilizou com os argumentos do PIB empresarial".

Há um mês, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), evitou a votação imediata das contas da presidente pelo TCU - o que daria elementos para o impeachment -, após receber empresários que, naquela oportunidade, defenderam Dilma.

Quando as manifestações de rua pareciam empurrar o governo para o precipício, Dilma ganhou apoio do empresariado. Rubens Ometto, presidente do Conselho de Administração da Cosan, gigante dos setores de energia e infraestrutura, foi um dos empresários que saíram em defesa dela. De modo geral, a avaliação foi de que o afastamento da presidente pelo Congresso seria mais danoso à economia do País. Tudo isso, porém, está mudando muito rápido. Para pior.

Buscar o mínimo de unidade e evitar a pressão pelo impeachment são as principais preocupações da presidente agora. Para isso, manter o rigor fiscal, reduzir a máquina administrativa e dar início a uma negociação factível para o aumento de receita são medidas fundamentais.

"Mais do que a oposição ou o PMDB, é a agência Standard & Poor's que vai acabar causando o impeachment de Dilma", avalia David Fleischer, cientista político da Universidade de Brasília (UnB). "O governo está dividido. De um lado o ministro da Fazenda. Do outro, o chefe da Casa Civil, que já puxou o tapete do vice-presidente Michel Temer na articulação política", concluiu Fleischer.

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