Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Após reatar com Planalto, Renan vira alvo dos grupos

Presidente do Senado é criticado por ajudar Dilma com agenda positiva e por articulação no TCU; crise econômica afeta ambulantes

Pedro Venceslau, Rafael Italiani, Valmar Hupsel Filho, Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

16 Agosto 2015 | 22h05

No terceiro protesto pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff realizado este ano na Avenida Paulista, os manifestantes voltaram a entoar palavras de ordem contra a corrupção, o PT, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e incluíram o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), entre os alvos preferenciais das palavras de ordem. 

Em cartazes, faixas e nos discursos dos líderes dos grupos organizados, Renan foi criticado pela recente aproximação com o Palácio do Planalto e pelos gestos políticos que têm ajudado Dilma a sair das cordas, em especial após a pressão da pauta-bomba capitaneada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que rompeu com o governo após ser citado em delação na Operação Lava Jato.

No protesto que reuniu neste domingo cerca de 350 mil pessoas, segundo a Polícia Militar, representantes dos movimentos atribuíram ainda a Renan o controle dos votos de pelo menos três conselheiros do Tribunal de Contas da União (TCU), órgão que vai julgar as contas de Dilma. Uma eventual reprovação das contas abriria caminho para a abertura formal de um processo de impeachment. 

‘Criminosos’. Ao discursar em frente ao Masp, um dos líderes do Movimento Brasil Livre, Kim Kataguiri, de 19 anos, chegou a chamar Renan – e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, responsável pela investigação de parlamentares na Lava Jato – de “criminosos”. “Renan e Janot são dois criminosos porque estão protegendo a Dilma. Eles a protegem porque sabem que, se ela cair, eles caem também”, disse Kataguiri em meio aos gritos da plateia de “Fora Renan”.

Em cartazes expostos em frente ao carro do grupo, o sobrenome Calheiros foi substituído por “Calhorda”.

Líder do Vem Pra Rua, o empresário Rogério Chequer criticou o presidente do Senado pelo pelos acenos ao Planalto. “Estamos chocados com os rumores deste acordão do Renan com o governo”, disse. 

Do alto do carro do Vem Pra Rua, o jurista Miguel Reale Júnior, ex-ministro da Justiça do governo Fernando Henrique Cardoso, também fez duras críticas ao presidente do Senado. “O Renan fez o acordão das ratazanas. Essa aproximação é um factoide para enganar a população”, afirmou. 

Além de Reale, outros juristas discursaram no carro de som do Vem Pra Rua. Ex-petista e fundador do PT, o advogado Hélio Bicudo enviou uma carta de três páginas com críticas a Dilma, que foi lida por Chequer ao microfone. 

Crise. Os ambulantes não conseguiram ficar alheios às manifestações, já que relataram também estar sentindo os efeitos da crise econômica. Ex-árbitro de futebol e fluente em cinco línguas, o ambulante português Silvestre Ferreira, de 53 anos, teve de dar descontos nos preços dos apitos verde e amarelo que vendia em uma esquina da Paulista. “Eu vendia por R$ 7 na primeira manifestação. Agora, baixei o preço do apito para R$ 4 e tenho R$ 1 de lucro. Mesmo assim as pessoas não querem comprar.”

A desempregada Michelli Oliveira Figueiredo, de 25 anos, formada em administração de empresas, trabalhou por dois anos em uma multinacional, mas está com problemas para se recolocar no mercado. Na Paulista, ela disse se sentir “frustrada” por conseguir vender pouca água e cerveja. 

“Não arrumo emprego porque a concorrência é grande, tem bastante gente desempregada. Aqui tem muita família, ninguém quer beber. Tem gente que só passa para dar uma olhada e depois vai embora.” 

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