Após quebra de sigilo de FHC, oposição quer abrir gastos de Lula

Segundo revista, FHC e parentes tiveram gastos investigados; líder do PSDB classificou como 'cafajestice'

O Estado de S. Paulo,

24 de março de 2008 | 09h26

Em reação à divulgação de um dossiê sobre gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de sua mulher, Ruth, e de ministros do governo tucano, o PSDB decidiu insistir na quebra dos sigilos dos cartões corporativos usados para despesas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da primeira-dama Marisa Letícia e até da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). A revista Veja afirma que FHC e seus parentes tiveram os gastos investigados pelo Planalto. As informações seriam usadas para constranger oposicionistas da CPI dos Cartões, se insistissem na quebra de sigilo das despesas do presidente Lula e sua família.  Veja também: Entenda a crise dos cartões corporativos  Governo tenta evitar quebra de sigilo na CPI dos CartõesSem quebra de sigilo, Marisa Serrano ameaça deixar CPIPara ministro, crise dos cartões é 'escandalização do nada'Entre mais de 140 requerimentos que aguardam votação na CPI, vários referem-se à abertura dos gastos sigilosos da Presidência da República. O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), quer que o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Armando Félix, ao qual a Abin está subordinada, aponte em sessão secreta da CPI os gastos que, de fato, não devem ser tornados públicos. Atualmente, todas as despesas da Abin com cartão corporativo estão na rubrica de gastos sigilosos. Além dos gastos da Abin, o senador disse que a divulgação indevida de gastos de Fernando Henrique e Ruth justifica a quebra de sigilo das despesas pessoais de Lula e Marisa. "Essa cafajestice mostra o absoluto medo de que sejam investigados os gastos sigilosos dos cartões. Eles não pensem que vamos ficar dependentes da maioria governista na CPI. Podemos pedir informações dos gastos do presidente Lula e de dona Marisa diretamente a eles e, se não informarem, buscar uma decisão no Supremo Tribunal Federal", disse o líder. Virgílio aproveitou para criticar o esforço do companheiro de partido Aécio Neves, governador de Minas, em formar aliança com o PT na eleição para a Prefeitura de Belo Horizonte. "O próprio Aécio deve pensar se nós somos parecidos com o PT a ponto de fazermos uma aliança. Está na hora de todos nós refletirmos. Me pergunto como o Palácio do Planalto se prestou a isso (elaboração do suposto dossiê). Eles se comportam como delinqüentes", atacou Virgílio.

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