André Dusek|Estadão
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Após quebra de sigilo, Cardozo volta a pedir áudios de Machado em processo de impeachment

O pedido já havia sido feito anteriormente e negado pelo presidente do STF, Ricardo Lewandowski; para a defesa de Dilma, o ministro não julgou mérito da questão, apenas recusou a requisição porque a delação estava sob segredo de Justiça

Isabela Bonfim e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2016 | 15h24

BRASÍLIA - O ex-advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, oficializou o pedido de inclusão dos áudios da delação do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, no processo de impeachment contra a presidente afastada Dilma Rousseff.

O pedido já havia sido feito anteriormente e negado pelo presidente do Supremo, Ricardo Lewandowski, que é a instância máxima do processo. O advogado argumentou na Comissão Especial do Impeachment, entretanto, que Lewandowski não julgou o mérito da questão, apenas recusou o pedido porque a delação estava sob segredo de Justiça. Na última semana, o ministro do STF, Teori Zavascki, determinou que a delação se tornasse pública. Com a quebra do sigilo, a defesa acredita que será possível incluir os áudios no processo.

Miguel Reale Jr., um dos autores do pedido de impeachment, confrontou Cardozo, dizendo que a tese da defesa era "conversa fiada". Ele acusou Cardozo de já ter sido citado em delação como participante do suposto plano de tentar conseguir a libertação de empreiteiros presos pela Operação Lava Jato por meio da nomeação de ministros para o STJ (Superior Tribunal de Justiça).

O pedido deve ser analisado pelos senadores que compõem a comissão do impeachment. Como a base de Temer tem a maioria no colegiado, a defesa não deve ter seu pedido atendido. Cardozo já havia informado, porém, que caso o pedido seja rejeitado, ele irá recorrer a Lewandowski.

Desvio de finalidade. Para a defesa, a inclusão dos áudios de Machado é um tema central para o processo. De acordo com Cardozo, as gravações demonstram que o impeachment foi organizado por um grupo político com o intuito de parar as investigações da Operação Lava Jato. 

Em uma das gravações, o senador Romero Jucá (PMDB-RR), um dos principais articuladores do impeachment, é flagrado falando na construção de um "pacto" para "trocar o governo" e "estancar a Lava Jato". Para Cardozo, a gravação demonstra desvio de finalidade no processo, como se o pedido de impeachment estivesse viciado desde o início.

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