Domingos Tadeu|Agência Brasil
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Após quebra de sigilo, Cardozo quer incluir áudios de Machado no processo de impeachment

Objetivo da defesa da presidente afastada é fortalecer a tese do 'desvio de finalidade'; pedido semelhante já foi negado pelo presidente do STF

Isabela Bonfim e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2016 | 19h33

BRASÍLIA - Desde o início da segunda fase do processo de impeachment, a defesa da presidente afastada Dilma Rousseff considera a inclusão da delação do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado fundamental para rebater a acusação. Com a quebra do sigilo da colaboração, o ex-advogado-geral da União José Eduardo Cardozo, que defende a petista, vai tentar novamente incluir os áudios no processo de impeachment.

O objetivo de Cardozo é fortalecer a tese do "desvio de finalidade", ou seja, de que atores políticos atuaram para realizar o impeachment não por razão de crime de responsabilidade, mas por um interesse particular. Nas gravações de Machado, um dos principais articuladores do impeachment, o senador Romero Jucá (PMDB-RR), foi flagrado sugerindo um pacto para "trocar o governo" e "estancar a Lava Jato".

A defesa já havia solicitado a inclusão dos áudios uma vez. O presidente do Supremo Tribunal Federal e instância máxima no processo de impeachment, Ricardo Lewandowski, negou o pedido, alegando que o processo estava sob sigilo. Nessa quarta-feira, 15, a delação de Machado se tornou pública após a decisão do relator da Operação Lava Jato, ministro Teori Zawascki. O objetivo de Cardozo é fazer novo pedido.

"O presidente Lewandowski, quando decidiu não aceitar o nosso recurso, disse que os áudios estavam sob sigilo. Nós vamos consultar a Procuradoria-geral da República para verificar se há uma liberação total dos áudios e aí solicitar que esses áudios sejam encaminhados à comissão especial", disse.

Para Cardozo, os áudios podem mostrar que não há nada contra Dilma Rousseff e que o processo de impedimento da presidente tem por objetivo parar as investigações. 

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