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Após protestos contra Teori, governo oferece reforço na segurança de ministros do STF

Todos os ministros da Corte podem ter reforço na segurança institucional e pessoal, diz nota no Ministério da Justiça; segundo a assessoria do STF, não houve pedido formal em razão das últimas manifestações

Isadora Peron e Gustavo Aguiar, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2016 | 17h47

BRASÍLIA - Após protestos contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki, o Ministério da Justiça ofereceu nesta quarta-feira, 23, um reforço na segurança institucional e pessoal de todos os ministros da Corte. A pasta também determinou que a Polícia Federal investigue possíveis “instigações e ameaças aos magistrados”.

“O Ministério da Justiça zelará para que o momento de tensão política não dê lugar a atos de violência e intolerância contra quem quer que seja”, diz a nota.

A pasta afirma que a PF foi instruída a investigar tanto “manifestações públicas ao redor de suas residências como em redes sociais” contra os ministros.

Na noite de terça-feira, um grupo fez um protesto em frente ao prédio onde Teori tem apartamento, em Porto Alegre. A manifestação aconteceu logo após o ministro determinar que o juiz Sérgio Moro devolvesse à Corte os processos que envolvem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na fachada do prédio, foram penduradas faixas com os dizeres "Teori traidor", "Pelego do PT" e "Deixa o Moro trabalhar".

Uma enxurrada de críticas e ofensas ao ministro também tomaram conta das redes sociais. Sob o mote #OcupaSTF, o cantor Lobão, defensor do impeachment da presidente Dilma Rousseff, chegou a divulgar em sua conta do Twiiter o endereço do filho de Teori, que mora na capital gaúcha.

Além da decisão tomada na terça, Teori também tem estado nos holofotes por ser o ministro responsável pelo andamento dos processos da Operação Lava Jato na Corte.

O Supremo tem desempenhado um papel central neste momento de crise política pelo qual passa o País. Caberá aos ministros da Corte, por exemplo, decidir se Lula pode ou não assumir a Casa Civil. Na última sexta-feira, o ministro Gilmar Mendes anulou, em decisão monocrática, a nomeação do ex-presidente, mas o caso ainda terá que ser debatido em plenário.

Coube ao Tribunal também definir o rito do impeachment, concluído na semana passada. Autor do voto que teve o apoio da maioria, o ministro Luís Roberto Barroso também foi alvo de críticas na internet. A avaliação dos que protestaram contra Barroso é que as regras estabelecidas para a condução do processo de afastamento de Dilma beneficiava o governo.

Segundo a assessoria de imprensa do Supremo, não houve nenhum pedido formal de reforço da segurança dos ministros por conta dos últimos episódios. Os integrantes da Corte já contam com esse tipo de serviço normalmente.

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