Após prisão de Dantas, fundos Opportunity perdem R$ 1 bi

O total representa 6,2% do patrimônio das carteiras do banco

Mônica Ciarelli, da Agência Estado,

10 de julho de 2008 | 18h12

O patrimônio dos fundos de investimentos do Opportunity encolheu quase R$ 1 bilhão desde a prisão na operação Satiagraha, da Polícia Federal, de vários integrantes do comando do grupo, entre eles o sócio-fundador Daniel Dantas e seu principal executivo, Dório Ferman. O diretor comercial do Opportunity, Fernando Rodrigues, explicou que o montante - 6,2% do patrimônio total - incluiu os saques realizados desde a última terça-feira, quando ocorreram as prisões, e também os resgates já agendados pelos cotistas para os próximos 90 dias. "Queremos dar o máximo de transparência. Estamos trabalhando para tranqüilizar os clientes", afirmou ele. Atualmente, a gestora de recursos do Opportunity ocupa o 15ª lugar no ranking da Associação Nacional dos Bancos de Investimentos (Anbid).  Veja também:Dantas ofereceu suborno de US$ 1 milhão para escapar da prisão, diz MPLeia a íntegra da decisão do STF que manda soltar Dantas STF manda soltar Daniel Dantas e mais 10 presos da SatiagrahaBeneficiado por habeas-corpus, Daniel Dantas deixa sede da PFOpine sobre a decisão do STF de soltar Dantas  Lula defende ação da PF e não comenta decisão de soltar Dantas Dirceu condena 'espetacularização' da PF Entenda como funcionava o esquema criminoso  Entenda o nome da Operação Satiagraha, que prendeu Dantas  Rodrigues destacou que o grupo decidiu adotar a mesma política de transparência utilizada em 2004, quando Dantas foi indiciado pela Polícia Federal na operação Chacal, que investigou o esquema de suposta espionagem industrial durante a briga entre o Opportunity e a Telecom Italia pelo controle da Brasil Telecom (BrT).  Desde a terça-feira, o Opportunity vem divulgando o percentual de resgates dos fundos e também a composição de sua carteira de investimentos. Em 2004, as perdas dos fundos de investimentos do grupo chegaram a atingir entre 10% e 15% do patrimônio total nos 90 dias seguintes ao anúncio do indiciamento de Dantas. Mas Rodrigues ressaltou que a situação se reverteu em nove meses. "Passamos a crescer e superamos as turbulências", disse.  O diretor destacou ainda que 80% do patrimônio dos fundos estão relacionados a clientes que investem no Opportunity há 15 anos. "São pessoas que enriqueceram com a gente. Queremos mostrar que a performance continua a mesma", afirmou.   Ferman  Liberado hoje por um habeas-corpus do Supremo Tribunal Federal, o principal executivo da Opportunity Asset Management, Dório Ferman, volta amanhã a comandar os fundos de investimento da instituição financeira.   Nos últimos dias, para acalmar os seus clientes, o Opportunity indicou um nome de peso para substituir Ferman: o ex-diretor de Política Econômica do Banco Central Afonso Bevilacqua, que ingressou no grupo em agosto do ano passado. O executivo, que respondia pela gestão de recursos internacionais do grupo, passou a gerir também os fundos sob tutela de Ferman.

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