Após primeiro encontro, Alckmin elogia Dilma

Em Brasília, governador tucano demonstrou ter boa relação com a presidente e afirmou que São Paulo será um parceiro de seu trabalho

Leonencio Nossa, de O Estado de S. Paulo

16 de março de 2011 | 23h00

BRASÍLIA - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), tentou nessa quarta-feira, 16, dar o máximo de visibilidade à primeira audiência no Planalto que pediu à presidente Dilma Rousseff. Chegou num carro com vidros abertos - postura rara dos visitantes de poder - e teve apoio da Secretaria de Imprensa do governo para realizar uma entrevista coletiva no Salão Nobre, espaço reservado a cerimônias oficiais e a entrevistas marcadas apenas para anúncios importantes.

 

Num momento de perda de espaço do ex-governador paulista José Serra para o senador Aécio Neves (MG) no PSDB, e de mudanças no comando do também oposicionista DEM, Alckmin se valeu da "relação institucional" com o Planalto para se colocar como interlocutor da oposição e de São Paulo com Dilma, avaliaram auxiliares da presidente.

 

Foi como um oposicionista de "muitas semelhanças" de estilo com Dilma que Alckmin se apresentou na coletiva após o encontro. Ao ser questionado sobre a postura discreta da presidente, que chegou a ser comparada, como ele, a um "picolé de chuchu", o governador riu e aproveitou para fazer elogios à presidente e mostrar semelhanças. "Nós torcemos muito por ela, por seu trabalho. Ela tem conhecimento de Estado e de gestão. São Paulo será um parceiro deste trabalho."

 

A todo momento, o governador paulista fez questão de ressaltar que suas posições sobre obras de infraestrutura em São Paulo contam com o apoio da "presidenta" Dilma. Ele disse: "A presidenta foi receptiva com as obras do Rodoanel", "a presidenta tem se empenhado na questão de aeroportos", "a presidenta defendeu também o trem de alta velocidade" e "Dilma se preocupa com a logística".

 

Na entrevista, o governador paulista disse que acertou com Dilma um cronograma de quatro anos para concluir o trecho norte das obras do Rodoanel. Dos R$ 4 bilhões previstos, um terço será repassado pelo governo federal. Para este ano já estão previstos R$ 371 milhões, no Orçamento da União. Alckmin defendeu ainda a construção do trem bala ligando Rio a São Paulo, projeto criticado por Serra.

 

Na audiência, o governador disse que tratou, também, da construção de um novo aeroporto metropolitano em São Paulo, ideia que está em discussão há pelo menos cinco anos. A presidente, segundo ele, concorda que é preciso uma integração de aeroportos, rodovias, hidrovias e ferrovias.

 

Gargalos. De acordo com Alckmin, a urgência em São Paulo é a construção de um terceiro terminal de passageiros no Aeroporto de Cumbica e um segundo terminal e uma segunda pista para o Aeroporto Viracopos, em Campinas. "Agora, não devemos pensar só amanhã. Há necessidade de se estudar um novo aeroporto metropolitano", disse.

 

O governador considera que Cumbica e Viracopos, hoje, são "dois grandes gargalos" no setor aeroportuário e afirmou ser favorável a investimentos de empresas privadas para construção de terminais nos aeroportos, sobretudo para os jogos da Copa do Mundo de 2014.

 

Alckmin disse ainda que conversou com a presidente sobre novos empréstimos que São Paulo pretende fazer e informou que conversaram sobre o trem-bala, que vai integrar os aeroportos de Viracopos e Cumbica, em São Paulo, ao do Galeão, no Rio.

 

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