André Dusek|Estadão
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Após pressão, Maranhão deixa sessão para possibilitar votação da DRU na Câmara

'Vou só ali no meu gabinete, mas volto', disse o presidente interino da Casa; lideranças do PPS, DEM, PSDB e PSB exigiam a saída de Maranhão para que a PEC fosse votada

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2016 | 14h43

BRASÍLIA - Em sua primeira tentativa de comandar uma votação desde que assumiu a presidência interina da Câmara, o deputado Waldir Maranhão (PP-MA) não aguentou a pressão e decidiu deixar o plenário desta quarta-feira, 8. 

O parlamentar cedeu à pressão feita por líderes do PPS, DEM, PSDB e PSB, que exigiram que ele deixasse o comando dos trabalhos no plenário para que a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prorroga a Desvinculação de Receitas da União (DRU) até 2023 fosse realizada.

Maranhão deixou o plenário antes de a votação começar, afirmando que iria para seu gabinete, mas voltaria a comandar a sessão ainda nesta quarta-feira, 8. "Vou só ali no meu gabinete, mas volto", disse. Ele só deve voltar, no entanto, após a aprovação da DRU.

O deputado maranhense decidiu presidir a sessão plenária desta quarta-feira, 8, após mais de uma semana sumido da Câmara. Seria a primeira vez que ele comandaria votações na Casa, se não tivesse deixado o plenário. 

Desde que assumiu o comando da sessão de votações, ele passou a ser alvo de protestos de deputados da antiga oposição à presidente Dilma Rousseff. "Com ele aqui não iremos votar", afirmou o líder do DEM, deputado Pauderney Avelino (AM). 

O líder do PSDB, Antonio Imbassahy (BA), também cobrou a saída do presidente interino do comando da sessão. "Todos nós queremos votar a DRU. Queremos votar, mas para que isso aconteça é necessário a renúncia de vossa excelência da condução dos trabalho", disse.

Imbassahy, Pauderney e os líderes do PPS, Rubens Bueno (PR), e do PSB, Paulo Folleto (ES), pedem apoio de outros deputados para conseguirem colocar em pauta requerimento para tramitação de urgência de projeto de Resolução que declara vago o cargo de presidente da Câmara. 

A projeto de Resolução é de autoria do deputado Roberto Frerte (SP), presidente nacional do PPS. Para que o requerimento de urgência da proposta seja apresentado, os partidos precisam de assinaturas de líderes que representem 171 deputados.  

Desde que assumiu o comando interino da Câmara, Maranhão chegou a presidir duas sessões, mas não houve votações em nenhuma delas. Para diminuir a pressão pela sua saída, ele aceitou permanecer oficialmente como presidente interina e transferir o comando de fato da Casa a outros membros da Mesa Diretora.

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