Após pressão do partido, deputados defendem ministro

Bancada petista naCâmara divulga nota de apoio a Cardozo, que havia sido convidado a explicar as recentes ações da PF

RICARDO GALHARDO, O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2015 | 02h02

Diante da repercussão negativa da tentativa de enquadrar o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, setores do PT saíram em defesa do correligionário. Ontem a bancada do partido na Câmara dos Deputados divulgou nota em apoio ao ministro.

A própria cúpula partidária, que incentivou a tentativa de enquadramento, decidiu aliviar a pressão. Após aprovar na semana passada um convite para que Cardozo explicasse ao partido as ações recentes da Polícia Federal, a direção petista avalia agora a possibilidade de ouvir o titular da Justiça em uma mesma sessão ao lado dos ministros Nelson Barbosa (Planejamento) e Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência), diluindo a pressão sobre ele.

"Este convite não é para cobrar os ministros, é para discutir a situação das políticas do governo", afirmou o secretário de Comunicação do PT, José Américo Dias.

A reação em favor do ministro começou na segunda-feira, um dia depois de o Estado revelar a tentativa de enquadramento. Parlamentares próximos a Cardozo liderados pelo deputado Vicente Cândido (PT-SP) e dirigentes como o presidente do diretório estadual do partido, Emidio de Souza, saíram em defesa do ministro.

Com isso, conseguiram debelar o movimento de fritura do titular da Justiça iniciado por dirigentes próximos aos petistas ameaçados pelas operações Lava Jato e Acrônimo, da PF, e incentivado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, desafeto histórico de Cardozo. Segundo esses setores do PT, o ministro não representava o partido e estaria sendo omisso por não frear supostos abusos da PF, que é subordinada à Justiça.

Na terça-feira os defensores de Cardozo se reuniram com o presidente do PT, Rui Falcão, para comunicar que sairiam em defesa do ministro. A reação mais forte veio da bancada do PT na Câmara, que divulgou uma nota na qual declara "publicamente seu apoio" e afirma que Cardozo, mesmo que quisesse, não tem poder nem autonomia para frear a PF.

"Nos posicionamos na linha de criticar todos os que imputam eventuais abusos na condução na Operação Lava Jato ao ministro Cardozo, ressaltando que o seu papel tem sido o de cumprir a Constituição e as leis, dentro de uma postura republicana e de defesa do Estado de Direito e do respeito à ética na política e no combate à corrupção", diz o documento.

Em outra frente, aliados do ministro diziam que Cardozo apenas cumpre as determinações da presidente Dilma Rousseff em relação à PF.

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