Após pressão de quase 5 meses, Renan se afasta da presidência

Afastamento do presidente do Senado é de 45 dias; em seu lugar, o senador Tião Viana, do PT, ocupará o cargo

11 de outubro de 2007 | 19h15

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), anunciou nesta quinta-feira, 11, o afastamento do cargo por 45 dias em pronunciamento na TV Senado. Diz que enfrentará os processos dos quais é acusado e volta a afirmar que está convicto de sua inocência. "Resistirei firme na minha defesa", disse. Durante a sua ausência, a presidência será exercida pelo senador Tião Viana (PT-AC), que ocupa o cargo de 1º vice-presidente da Mesa.   Veja também:     Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan  Ouça a íntegra do pronunciamento de Renan   Renan fez um discurso breve, de pouco mais de dois minutos,  e lembrou a sessão no plenário da última terça-feira, quando, pela primeira vez, senadores da base aliada - incluindo senadores petistas - fizeram coro com a oposição e pediram a sua saída da presidência.   "Com isso (o licenciamento) , contribuo definitivamente para evitar constrangimentos como as que aconteceram na sessão de 9 de outubro. Enfrentarei os processos como fiz até agora, não lancei mãos das prerrogativas do Senado, minha trincheira de luta, sempre fui convicto de que prevalecerá a verdade, como aconteceu na minha absolvição.Reafirmo que enfrentarei os processos como fiz até agora à luz do dia".   Renan é o segundo presidente da Casa a se licenciar do cargo por conta de denúncias por quebra de decoro parlamentar. O primeiro foi o ex-senador Jader Barbalho (PMDB-PA), em julho de 2001, sob a acusação de se beneficiar de desvios de recurso do Banpará. Dois meses depois, antes que fosse aberto processo no Conselho de Ética, Jader renunciou ao mandato.   Outros senadores que renunciaram foram José Roberto Arruda (DEM-DF), Joaquim Roriz (PMDB-DF) e Antônio Carlos Magalhães (DEM-PA), morto este ano.     No final do seu discurso, Renan disse que o "poder é transitório e a honra, permanente" e agradeceu sua família e colegas do Senado, que, segundo ele, sempre deram "forças".   "Confio no povo de Alagoas, colegas do senado e daqueles que mesmo sem me conhecer, me deram forças ate agora. A esses, certamente não decepcionarei. Aguardarei que a verdade e justiça prevaleçam.   Quebra de decoro   As acusações contra Renan resultaram em cinco representações no Senado. De uma delas, ele foi absolvido, a de que teve despesas pessoais pagas por um lobista. Apesar do Conselho de Ética ter votado parecer pela sua cassação, no dia 12 de setembro 45 senadores inocentaram o presidente da Casa. Votaram contra 35 e 6 se abstiveram.     A novela Renan Calheiros começou no dia 26 de maio, quando a revista Veja divulgou que ele teve despesas pessoais pagas pelo lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior. O dinheiro bancaria pensão e aluguel de Mônica Veloso, com quem o senador tem uma filha. No Congresso, Renan dizia que o lobista era seu amigo, mas negou que tinha recebido recursos.   Ainda restam três processos - que estão no Conselho de Ética - e a última, que ainda está sendo analisada pela Mesa Diretora do Senado.   Neste terceiro processo, a escolha do senador Jefferson Péres (PDT-AM), um dos maiores críticos de Renan, para relatar o caso do suposto uso de "laranjas" como donos de uma rádio em Alagoas mostrou que o presidente do Senado perdeu qualquer chance de ser inocentado nessa investigação.   Na segunda representação, Renan é acusado ainda de favorecer a Schincariol na Receita Federal e no INSS após a cervejaria comprar fábrica de bebidas da família Calheiros por preço acima do mercado. O terceiro acusa o senador de participar de esquema de propina envolvendo ministérios comandados pelo PMDB.   Por último, o DEM e o PSDB protocolaram no dia 9 de outubro a quinta representação contra Renan,que teria comandado um esquema de espionagem contra senadores da oposição, em Goiânia: Demóstenes Torres (DEM) e Marconi Perillo (PSDB).   Quem é Renan Calheiros   Como muitos políticos, Renan Calheiros iniciou sua carreira no movimento estudantil nos anos 70. Alagoano de Murici, foi eleito deputado estadual pelo MDB, em 1978, ainda durante a ditadura militar, quando era estudante de Direito.   Nas eleições seguintes, obteve uma vaga na Câmara dos Deputados, onde ficou por três mandatos. Não terminou o último porque, em 1992, foi indicado para assumir a vice-presidência de uma estatal, a Petrobras Química (Petroquisa).   Um dos aliados do ex-presidente Fernando Collor de Mello, na chamada República de Alagoas montada em Brasília, Renan se tornou líder do governo na Câmara dos Deputados, apoiando todas as decisões do governo, inclusive o confisco da poupança.   O rompimento com Collor veio em seguida, mas os dois parecem ter se reconciliado este ano com a eleição do ex-presidente - único no País a sofrer impeachment - a uma vaga no Senado.   De volta às urnas em 1994, Renan é eleito senador por Alagoas e, em 2002, se reelege. Três anos depois de conquistada a reeleição chega à presidência do Senado, cargo que ocupa até hoje depois de ser reeleito este ano em uma disputa praticamente sem adversários na Casa.   O senador também exerceu cargo no Executivo como ministro da Justiça no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. À época, a indicação de seu nome foi criticada por conta do apoio que deu ao confisco da poupança durante o governo Collor e também por não ter afinidade com o meio jurídico.   Recentemente, a figura de Renan ganhou destaque por conta do projeto sobre o desarmamento, de sua autoria. A proposta gerou o referendo das armas, mas foi rejeitada pelo eleitorado.          

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