Após posse, representantes entregam dossiê contra Argello

Frente encontra procurador geral da República para entregar 37 páginas contra suplente de Roriz

Leonencio Nossa, do Estadão,

17 de julho de 2007 | 19h38

Minutos depois de Gim Argello (PTB-DF) assumir a cadeira do ex-senador Joaquim Roriz (PMDB-DF), que renunciou em meio a um escândalo de corrupção, representantes de uma frente de partidos de Brasília entraram em contato com o corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), e o procurador geral da República, Antonio Fernando de Souza, para entregar um dossiê de 37 páginas com denúncias contra o novo parlamentar.   O dossiê, que deve ser entregue formalmente ainda nesta semana, mostra acusações de crime contra o sistema financeiro, grilagem de terras públicas, fraudes na Câmara Legislativa do Distrito Federal durante os oito anos de mandato de Argello como deputado, recebimento de propina para aprovar condomínios irregulares e mudança de uso de lotes em benefício de aliados.   "O documento está pronto, só falta marcar uma hora para entregar ao senador Romeu Tuma e ao procurador", disse ontem Chico Vigilante, presidente regional do PT, um dos partidos que assinam o relatório.   Um dos casos recentes envolvendo o nome do novo senador foi levantado pela Operação Aquarela, da Polícia Civil, a mesma que levantou as suspeitas que fulminaram Joaquim Roriz. Em 2006, o então deputado distrital Gim Argello foi um dos autores de um projeto que mudou a destinação de um lote de 80 mil metros quadrados em Brasília. A área no bairro Sudoeste deveria ser ocupada por um centro de treinamento.   Com a troca definida pelo projeto de Argello, o lote pode ser utilizado para comércio. Com isso, o dono do terreno e aliado, Wigberto Tartuce, conseguiu vender o imóvel por R$ 47 milhões, um ano depois de comprá-lo por R$ 15,2 milhões.   Argello é réu num processo que corre no Tribunal Regional Federal (TRF), por não ter declarado a movimentação de cerca de R$ 1 milhão, segundo o dossiê. Ele ainda é alvo do Ministério Público desde os anos 1990 sob suspeita de integrar a máfia da grilagem de terras. Numa conversa gravada em 2002, o então secretário de Assuntos Fundiários do Brasília, Odilon Aires, afirma que Argello recebeu 300 lotes no condomínio Alto da Boa Vista para legalizar a área.   O novo senador também se notabilizou por negócios na concessão de rádios na periferia de Brasília. Recentemente, ele transferiu o controle da freqüência 94,5 FM para um grupo estrangeiro, o que afronta a Constituição. No ano passado, Argello atuou para aprovar cinco outras concessões no Ministério das Comunicações.   Os assessores de Argello desqualificam as denúncias contra o novo senador. O advogado Maurício Corrêa, que defende Argello, disse que os processos não impedem que o senador exerça o mandato. Segundo Corrêa, não há provas contra ele.   PSOL   Um hora depois de tomar posse no Senado e ganhar foro privilegiado, o suplente de Roriz já foi alvo nesta terça-feira de representação do PSOL para abertura de investigação para apurar se o político quebrou o decoro parlamentar.   O processo é considerado aberto após o Conselho de Ética acatar a representação e notificar o senador, o que deve ocorrer após o recesso parlamentar, em 1o de agosto. Até lá, ele pode renunciar ao mandato para preservar os direitos políticos.

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