Paulo Lannes|Metrópoles
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Temer e família voltam para o Jaburu

Presidente não teria se adaptado ao Palácio da Alvorada, mesmo após reforma que custou R$ 24 mil e incluiu instalação de tela de proteção para Michelzinho

Tânia Monteiro e Vera Rosa, O Estado de S. Paulo

01 Março 2017 | 16h53

 

Brasília - Uma semana depois de ter se mudado para o Palácio da Alvorada, o presidente Michel Temer, a primeira-dama, Marcela e o filho Michelzinho, de sete anos, voltaram a morar no Palácio do Jaburu. “O presidente não se adaptou ao local, achava tudo muito distante e pouco conseguia ver o filho”, afirmou um assessor presidencial.

Temer, quando regressou nesta terça-feira de Salvador, onde passou os feriados do Carnaval na Base Naval de Aratu, já foi direto para o Palácio do Jaburu com a família. O último habitante do local foi a ex-presidente Dilma Rousseff, que saiu do Alvorada nos primeiros dias de setembro, uma semana depois de sofrer o impeachment e ser afastada definitivamente da Presidência da República.

A ida da família presidencial para o Jaburu causou uma enorme polêmica por conta da instalação de uma tela de proteção na varanda do quarto que foi reformado para receber o menino. A reforma do Alvorada para a mudança custou R$ 24.015,68, segundo informou a Secretaria de Governo ao Estado.

A obra foi criticada pelo ex-curador do Alvorada Rogério Carvalho que classificou a iniciativa como “uma barbaridade deplorável”. Ele disse ao Estado que o palácio da Alvorada “é um símbolo nacional e não pode ser desfigurado como foi”. Carvalho lembrou ainda que o ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama quando se mudou para a Casa Branca tinha uma filha na idade do filho de Temer, sete anos, e nem por isso modificou a fachada da residência presidencial norte-americana para dar proteção à filha.

Segundo Carvalho, o neto da ex-presidente Dilma, Gabril, era muito menor do que Michel, ficava lá por vários períodos e nunca foi cogitado de colocar grade proteção no local. Com a saída de Temer do Alvorada, Rogério Carvalho que é arquiteto e especialista em patrimônio histórico e ex-curador dos Palácios, diz que a “autorização equivocada” do Iphan (de colocação da tela na varanda) "precisa ser revertida” e a rede de proteção retirada.

A instalação da tela foi autorizada pelo IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico Nacional. A permissão, datada de outubro do ano passado, dizia que a instalação é “em caráter temporário” e foi dada por atender a questões de segurança, desde que “ nenhum elemento de fixação poderá utilizar as superfícies revestidas em pedra (mármore)”.

O ofício que autorizou a obra de número 336/2016/SA/SEGOV-PR justifica a sua necessidade por questões de segurança. “A Administração do Palácio da Alvorada solicita que seja instalada tela de proteção cm nylon no balcão dos quartos do referido Palácio, em sua fachada posterior, (...), uma vez que haverá a circulação de crianças naquela área e pode haver risco de ocorrerem acidentes”.

A área onde foi instalada a tela fica no segundo andar do Alvorada, na parte íntima da residência. Ali existem seis quartos, que sofreram mudanças para receber a família de Temer que, uma semana depois de se mudar oficialmente, abandonou o local.

Outra queixa frequente do presidente é que o filho Michelzinho, “que é muito danado”, de acordo com auxiliares do palácio, “some a toda hora”, deixando seguranças e a avó do menino, que mora com o presidente, preocupados.

Para receber a família, além da tela foram reformados armários do local, realizada pintura nos ambientes, trocados móveis. Um deles foi uma mesa de jacarandá do século 19 e outras três cadeiras do século 18 que serviam como mesa de refeição mais íntima para a ex-presidente foram retiradas da suíte presidencial.

Uma curiosidade do Alvorada é que os aposentos íntimos presidenciais tem duas suítes, uma para o presidente e uma para a primeira-dama. A explicação para isso é que o palácio foi construído no governo de Juscelino Kubitschek e ele e dona Sarah não dormiam no mesmo quarto.

Temer, como vice-presidente, sempre morou no Palácio do Jaburu. Sua família, no entanto, ficava em São Paulo. Em outubro, depois de instalado definitivamente no poder, Temer decidiu que a família viria morar com ele Brasília, preocupado com os insistentes protestos na porta de sua casa, que chegaram a deixar sua família sitIada, assustando sua mulher.

Com o final do semestre escolar, Marcela, Michelzinho, a sogra, Norma e o cachorro Thor mudaram para Brasília. Temer, no entanto, resistia em se mudar para o Alvorada porque o achava “muito frio” e que “não parecia uma casa comum”. Dilma tinha deixado o local no dia seis de setembro do ano passado e já em outubro, houve a solicitação para o início das pequenas reformas e adaptações no local para receber os novos inquilinos, incluindo a instalação da rede de proteção para evitar acidentes do o garoto.

Depois de muita relutância, Marcela concordou em se mudar para o local em 17 de fevereiro. Antes disso, Temer e a primeira-dama estavam usando o local apenas para recepções, reuniões de trabalho e jantares ou almoços de trabalho. Marcela Temer, que chegou a ter preparado um gabinete de trabalho no terceiro andar do Planalto, a poucos passos do gabinete do marido, estava preferindo despachar em um gabinete montado para ela no Palácio da Alvorada. Na sexta-feira, quando Temer e a família foram para Salvador, a mudança de volta foi feita e na terça-feira, quando eles desembarcaram de volta à capital, já seguiram novamente para o Jaburu. 

Tanto o Alvorada como o Planalto já haviam sido alvo de polêmicas no final do ano quando o governo Temer concordou em devolver 48 importantes obras de artes que já faziam parte do patrimônio dos palácios, mas que pertenciam originalmente ao Museu Nacional de Belas Artes, embora estivem em Brasília há mais de 45 anos. Foram retirados esculturas e quadros de Portinari, Guignard, Portinari, e Eliseu Visconti. / COLABOROU CARLA ARAÚJO

 

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