Após polêmica com bispo católico, Dilma recebe apoio de igrejas evangélicas

'Eu sou a favor da vida em todas as suas manifestações e seus sentidos', afirmou a petista em evento

Vera Rosa / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

24 Julho 2010 | 14h19

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, recebeu neste sábado, 24, o apoio de representantes de 15 igrejas evangélicas. A manifestação ocorreu dois dias depois da polêmica envolvendo o bispo de Guarulhos, dom Luiz Gonzaga Bergonzini, que pregou o boicote dos católicos à candidatura de Dilma, sob o argumento de que ela defende a descriminalização do aborto.

 

"Eu sou a favor da vida em todas as suas manifestações e seus sentidos", afirmou a petista, na sede da Convenção Nacional das Assembléias de Deus no Brasil. Com discurso sob medida para agradar à plateia, Dilma citou passagens do Evangelho nas quais Jesus fala da vida em abundância. Depois, lembrando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, garantiu que vai "cuidar do povo" e da família, "como ele". "Quero pedir a vocês que orem por mim", insistiu.

 

Diante de aproximadamente mil fiéis, Dilma disse que o governo Lula encerrou "uma era de choro, desespero, medo, acomodação e desemprego" e prometeu dar continuidade ao projeto do presidente. "O choro pode durar toda uma noite, mas a alegria vem pela manhã. Nós vamos construir juntos a alegria que chega pela manhã", afirmou.

 

Na chegada ao templo, Dilma foi saudada por obreiras. Passou perto de uma faixa de protesto estendida por dois evangélicos, na qual se lia "Apoiar Dilma é negar a Bíblia". "Aborto não", gritou um homem, logo que a candidata entrou, acompanhada do vice, deputado Michel Temer (PMDB), de coordenadores de sua campanha e de Gilberto Carvalho, chefe de gabinete de Lula. Ex-seminarista, Carvalho foi designado por Lula para aproximar a petista dos religiosos.

 

O pastor e deputado Manoel Ferreira (PR-RJ), presidente de uma das maiores denominações da Assembleia de Deus, o Ministério de Madureira, pregou o voto em Dilma e agradeceu a Lula pela lei que regulariza os templos erguidos em áreas públicas da União.

 

"Agora, chegou a hora de estarmos unidos. O que podemos fazer por esse homem?", perguntou o pastor aos fiéis. Ele mesmo respondeu: "Fazer a sua sucessora." Ferreira coordena o movimento evangélico da campanha de Dilma.

 

Na tentativa de desfazer boatos dando conta de que a candidata do PT defende o aborto e o casamento gay, Ferreira contou que se reuniu com ela, no início do ano, para tratar do assunto. "Pedimos que algums temas polêmicos do Programa Nacional de Direitos Humanos 3" pudessem ser revistos e, ainda, que essas matérias controversas fossem objeto de apreciação no fórum competente, que é o Congresso, e não partissem do Executivo", comentou o pastor, numa referência à legalização do aborto e da união civil entre homossexuais. "Ela nos garantiu que, eleita, não enviará essas propostas."

 

Em seus pronunciamentos, Dilma tem dito que não defende a interrupção da gestação, a não ser em casos previstos em lei, como na gravidez resultante de estupro. Avalia, porém, que o Estado não pode ignorar o assunto, pois muitas mulheres, sobretudo as de baixa renda, usam métodos considerados "medievais" para pôr fim à gravidez.

 

Apesar de a candidata do PV, Marina Silva, ser ligada à Assembleia de Deus, Dilma vem conquistando o apoio de evangélicos desta denominação. Muitos deles alegam que a ex-senadora não procurou o aval da igreja.

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