Após perda no Legislativo, Yeda quer refazer base aliada

Ainda sob impacto da derrota de quarta-feira na Assembléia, que rejeitou o principal item de seu plano de ajuste fiscal, a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), reconheceu hoje a necessidade de reconstruir a base aliada, após se considerar "traída" por bancadas alinhadas. Entre os aliados, três deputados do PMDB, oito do PP, dois do PTB e um do PPS votaram com a oposição."A harmonia foi perceptivelmente perdida, na última sessão da Assembléia, quando, da maneira mais surpreendente, não se deixou a discussão aberta por mais uma semana para aquela alternativa", avaliou Yeda, sobre a tentativa do governo de adiar a votação para buscar o apoio de dissidentes com mudanças no projeto original. O esforço acabou frustrado e o projeto que previa aumento de alíquotas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) foi derrotado por 34 a zero, depois que os governistas não conseguiram impedir o quórum mínimo de votação.Enquanto tenta recompor sua base na Assembléia, a governadora recebeu nova crítica de dentro do Executivo. O vice-governador Paulo Afonso Feijó (DEM), que trabalhou pela rejeição da proposta de aumento do ICMS, apontou "intransigência" do governo na negociação. "São intransigentes e levam um pacote fechado, não aceitam uma proposição", afirmou, em entrevista à Rádio Gaúcha. "Nós fizemos proposições e não foram aceitas ou foram revogadas", acrescentou.DiscussãoO secretário de Comunicação, Paulo Fona, contestou a posição do vice-governador apresentando um retrospecto das negociações. "Foram 42 dias de discussões", respondeu, lembrando que a governadora percorreu municípios do interior do Estado para explicar o plano, reuniu-se com entidades empresariais e até com a bancada federal. Conforme Fona, o vice-governador entregou proposta à Assembléia, mas não ao Executivo.Ao abordar as alternativas para compensar a ausência dos R$ 587 milhões líquidos esperados em 2008 com o aumento de ICMS, a governadora disse que o Executivo buscava "compartilhar" o custo do ajuste, depois de ter reduzido o déficit orçamentário em R$ 1 bilhão - em relação ao estimado no começo do ano pelo governo -, com corte de despesas. "A sociedade sabe que a crise é séria e são necessárias medidas duras", avisou Yeda.Para a governadora, "muita gente que votou não teve idéia da conseqüência de seu voto", citando o fato de que o crescimento de despesas não estará limitado, como previa projeto de responsabilidade fiscal estadual incluído no pacote, e os microempresários não contarão com o Simples gaúcho, que isentaria estabelecimentos com faturamento anual de até R$ 240 mil.

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