Tiago Queiroz / Estadão
Tiago Queiroz / Estadão

Após panelaços, oposição quer aliar protestos a ações de combate ao novo coronavírus

Partidos e movimentos sociais discutem impactos da pandemia na população mais vulnerável

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2020 | 23h21

Depois de apostar em panelaços e cobranças públicas contra a forma como o governo Jair Bolsonaro tem se portado diante da pandemia do novo coronavírus, partidos de oposição e movimentos sociais e sindicais traçaram a estratégia de aliar protestos a ações de solidariedade com a população mais vulnerável à doença e seus efeitos econômicos.

Nesta terça-feira, 24, movimentos e sindicatos farão uma videoconferência para ajustar detalhes da campanha. A ideia é coletar e distribuir alimentos e material de higiene para as pessoas que podem ficar sem fonte de renda com o avanço do coronavírus.

PT, PSOL e PC do B participam da campanha ao lado de centenas de movimentos que integram as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo. Além dos objetivos humanitários, a estratégia tem como objetivo, segundo dirigentes partidários, evitar que a oposição seja acusada de oportunismo político durante a crise.

Uma das ideias é usar os sindicatos como ponto de distribuição. Nesta segunda-feira a direção da Central Única dos Trabalhadores (CUT) realizou uma reunião online para discutir o assunto.

Na véspera Guilherme Boulos, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e pré-candidato pelo PSOL à prefeitura de São Paulo, lançou nas redes sociais a campanha “Enfrentando o corona na periferia”.  Segundo ele, foram criados canais para denunciar casos de pessoas em situações de extrema vulnerabilidade, grupos de WhatsApp divididos por bairros para repassar informações sanitárias e uma vaquinha virtual para arrecadar fundos.

Nesta segunda-feira, 23, as direções do PT, PDT, PSB, PCdoB, PSOL, Rede e PCB fizeram uma nota conjunta contra a MP 927 na qual o governo previa (e depois revogou) a suspensão de salários por até quatro meses entre outras medidas que flexibilizam a legislação trabalhista. ¨(A medida) vai na contramão do que os países civilizados estão fazendo para proteger a humanidade dos efeitos do coronavírus”, diz a nota.

Na semana passada a oposição apostava nos panelaços contra Bolsonaro. Agora, diante das novas ações do governo, decidiram alternar os ataques com medidas propositivas de solidariedade, uma vez que temem que Bolsonaro e seus aliados usem as críticas para acusar a oposição de oportunismo político. Segundo um dirigente partidário, a ordem é “não morder a isca”.

Nos próximos dias, o PT deve divulgar um documento elaborado por economistas ligados ao partido com sugestões de medidas na área econômica para combater os efeitos da pandemia.

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