Carlos Jasso/Reuters
Carlos Jasso/Reuters

Após Panamá Papers, Mossack Fonseca encerra atividades

Reportagens revelaram o uso de offshores para ocultação de patrimônio de empresários e políticos em diversos países

Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

14 Março 2018 | 23h02

O escritório de advocacia Mossack Fonseca, especializado em abrir empresas em paraísos fiscais e peça central do escândalo dos Panama Papers, vai fechar as portas até o final do mês, de acordo com uma declaração obtida pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês). 

Cerca de 11,5 milhões de arquivos da Mossack, vazados por uma fonte anônima, deram origem a uma série de reportagens sobre o uso de empresas de fachada na ocultação de patrimônio de políticos, empresários e celebridades. No Brasil, o Estado participou da cobertura.

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“A deterioração da reputação, a campanha de mídia, o cerco financeiro e as ações irregulares de algumas autoridades panamenhas causaram danos irreparáveis, cuja consequência obrigatória é a cessação total das operações ao público”, diz o comunicado do escritório. No texto, a empresa afirma que continuará a “pedir Justiça” e a cooperar com as autoridades para “demonstrar que nenhum crime foi cometido”.

O desaparecimento da firma de advocacia ocorre quase dois anos depois que a investigação sobre os Panama Papers revelou empresas offshore de algumas das pessoas mais poderosas do mundo. Os arquivos internos vazados da empresa continham informações sobre mais de 214 mil offshores vinculadas a 12 chefes de Estado atuais ou antigos, além de cerca de 140 políticos. A investigação derrubou os primeiros ministros da Islândia e do Paquistão.

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Participaram da reportagem 376 jornalistas de 76 países, que publicaram centenas de histórias desde a primeira onda de revelações, em abril de 2016. Os veículos brasileiros participantes da coalizão liderada pelo ICIJ foram, além do Estado, o UOL e a Rede TV.

Naquele mês, policiais e investigadores invadiram os escitórios da Mossack Fonseca no Panamá e em El Salvador. As autoridades da Venezuela prenderam um empregado local. No final de 2016, pelo menos nove escritórios da firma, incluindo um nos Estados Unidos, fecharam.

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Em fevereiro de 2017, a polícia no Panamá prendeu Ramon Fonseca e Jurgen Mossack, fundadores da firma, por lavagem de dinheiro e irregularidades em conexão com a Operação Lava Jato, no Brasil. A dupla foi libertada em abril.

Fundada em 1986, a firma panamenha de advocacia tornou-se um império offshore com mais de 40 escritórios em diversos países. Em 2013, empregou mais de 600 pessoas, e seu faturamento ultrapassou US$ 42 milhões.

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