Após obstrução, Temer se reúne nesta quarta com partidos

Presidente da Câmara irá avaliar disposição de governistas e oposição em votar projetos

Denise Madueño, AE

25 de agosto de 2009 | 18h06

Com a obstrução generalizada dos partidos, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), desistiu de colocar propostas em votação no plenário nesta terça-feira, 25. Temer marcou uma reunião de líderes na tarde da quarta-feira, 26, para avaliar a disposição dos partidos em votar.

 

Os partidos da base anunciaram que não votam nada enquanto o governo não resolver a liberação do dinheiro destinado a obras nos municípios que entrou no Orçamento da União por meio de emendas parlamentares. Os partidos de oposição estão obstruindo os trabalhos para impedir a volta ao plenário do projeto que cria a Contribuição Social para a Saúde (CSS).

Além disso, líderes de oposição aproveitam para combater o governo, usando a demissão coletiva na Receita Federal. "A demissão em massa caracteriza que o governo queria montar uma Receita política, como fez com a Polícia Federal, mas houve uma reação", afirmou o líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO). A oposição ainda bate em outro ponto: a inexistência das imagens das pessoas que circularam pelo Palácio do Planalto, de acordo com o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), no sistema de segurança. "Nunca vi tanta mentira. Virou um descalabro", disse Caiado.

 

"Obstrução por espuma"

 

O motivo da obstrução dos partidos de oposição é o temor da volta ao plenário do projeto que cria a Contribuição Social para a Saúde (CSS), uma nova CPMF. A proposta não está na pauta, mas a discussão retomou depois que a bancada do PMDB, em reunião com o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, manifestou apoio para a aprovação do projeto. A proposta teve parte do texto aprovado no ano passado, mas a conclusão da votação na Câmara está pendente por um ponto.

 

Pelo fato da proposta não estar na pauta de votações da Câmara, governistas afirmam que a obstrução que a oposição está impondo não tem um motivo para ser realizada. "Estão fazendo obstrução por espuma. O projeto nem está na pauta", afirmou o deputado José Genoino (PT-SP). "Essa matéria (CSS) só entra na pauta se houver divisão da arrecadação entre a União, os Estados e os municípios, e os governadores colocarem suas bancadas para votar no plenário", afirmou Genoino.

 

Para a oposição, o fato da bancada peemedebista ter se mostrado favorável à aprovação do imposto mostra que o governo está se movimentando para passar o projeto na Câmara. "Foi uma sinalização. Eles estão acertando para votar a proposta e nós não podemos ser pegos de surpresa. Temos de acenar as dificuldades que o governo vai ter para votar essa proposta", afirmou o líder do PPS, Fernando Coruja (SC).

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