Após nomeações, PMDB ameaça 'dar susto' na votação da CPMF

Partido ficou descontente com indicação de petistas para a Petrobrás

Denise Madueño e Eugênia Lopes, do Estadão,

25 de setembro de 2007 | 10h02

As nomeações dos petistas José Eduardo Dutra para a diretoria da BR Distribuidora e de Maria das Graças Foster para a diretoria do Gás da Petrobrás provocaram uma rebelião na bancada do PMDB na Câmara, que promete dar um susto no governo nesta terça-feira, 25, na retomada das votações da proposta que prorroga a cobrança da CPMF até 2011. Os focos de insatisfação da base, que haviam diminuído na semana passada, pioraram com o atendimento apenas do PT na distribuição de cargos.  O PMDB quer a diretoria de relações internacionais da Petrobrás, mas, ao contrário do PT, não conseguiu ainda emplacar seu indicado José Augusto Fernandes. Demais partidos da base que concordaram em votar a favor da CPMF esperando nomeações depois da aprovação da proposta terão de ser convencidos novamente a dar crédito ao governo. Os articuladores da votação na Câmara demonstraram claramente a desaprovação das nomeações dos petistas. Para eles, o governo deveria ter esperado a conclusão da votação para não sinalizar que só funciona e nomeia na base da pressão. Os negociadores temem que essas nomeações levem os aliados a radicalizar e a votar apenas depois de serem atendidos nos cargos. "Causou mal-estar. Vou conversar com o ministro Walfrido (dos Mares Guia, ministro de Relações Institucionais) e com os líderes para saber onde tem espaço para renegociação. Vamos conversar tudo de novo. Estranho foi ter acontecido isso (as nomeações dos petistas agora)", afirmou o líder do governo na Câmara, José Múcio Monteiro (PTB-PE). Na semana passada, o líder teve de fazer apelo aos aliados para votarem e deixar para o futuro o atendimento dos cargos. "Começamos a semana passada em crise. A contornamos e votamos. Vamos novamente começar a semana em crise, vamos contorná-la e votar", afirmou o deputado Ricardo Barros (PP-PR), vice-líder do governo na Câmara. Além da queda de braço na própria base, o governo terá de enfrentar várias votações até a conclusão da aprovação da emenda. Na segunda-feira, 24, à noite, a Secretaria da Mesa concluiu uma nova avaliação das emendas aglutinativas apresentadas à proposta e dos destaques que exigem votação de pontos separados. São 33 emendas e 10 destaques, o que significa 43 votações nominais para concluir a aprovação da proposta. Um dos destaques vai exigir que o governo tenha 308 votos para manter a prorrogação da cobrança da CPMF. O PSDB apresentou esse destaque retirando do texto aprovado na semana passada o artigo que trata da CPMF. Ricardo Barros vai argumentar que muitas das emendas aglutinativas e dos destaques não poderão ser aceitos para tentar reduzir o número de votações. "Vamos fazer esse debate baseado no regimento", afirmou Barros. O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), marcou nove sessões para continuar a votação da CPMF. Três nesta terça-feira, 25, a primeira começando às 12h, e outras três na quarta e na quinta-feira. O líder José Múcio Monteiro afirmou que a intenção é concluir a votação em primeiro turno nesta semana.

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