Divulgação/Câmara dos Deputados
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Após nomeação para Aviação Civil, PMDB deve avaliar expulsão de Lopes

Moção aprovada pela Executiva Nacional do PMDB que proibiu os peemedebistas de assumirem qualquer cargo do governo federal, pelos próximos 30 dias prevê afastamento de correligionário que descumprir regra

Erich Decat e Daniel Carvalho, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2016 | 15h14

BRASÍLIA - Integrantes da cúpula do PMDB devem convocar a Comissão de Ética do partido para tratar, na próxima sexta-feira, 18, de uma possível expulsão do novo ministro da Secretaria de Aviação Civil, deputado Mauro Lopes (MG) da legenda. O encontro deve ocorrer um dia após o deputado tomar posse como novo ministro do governo Dilma.

Oficialmente, a comissão ainda não foi convocada, mas nos bastidores a informação corrente é de que a decisão deve sair nas próximas horas.

A ida de Lopes para a SAC, confirmada nesta quarta-feira, 16, pela presidente Dilma Rousseff ,“afronta” moção aprovada no último sábado, 12, pela Executiva Nacional do PMDB que proibiu os peemedebistas de assumirem, a partir do encontro, qualquer cargo do governo federal, pelos próximos 30 dias. Integrantes do partido lembram que no documento está prevista a expulsão do correligionário que descumprir a regra.

'Desrespeito'. Membros da cúpula do PMDB consideraram  nomeação de Lopes um “desrespeito” ao partido.

No entendimento de parte dos integrantes da sigla partido ligados ao vice-presidente da República e presidente Nacional do PMDB, Michel Temer, a iniciativa do governo “atropela” a decisão tomada na Convenção da legenda.

A avaliação é que o fato de serem atropelados irá ampliar a crise do partido com o governo, num momento em que o Palácio do Planalto tenta uma reaproximação para tentar evitar os avanços do processo de impeachment contra a presidente Dilma. Nos últimos dias, lideranças do PMDB do Senado, considerados como fiéis da balança no processo de afastamento da presidente, têm ressaltado publicamente que Temer e o PMDB estão prontos para assumir o comando do País.

A expectativa dentro da cúpula da legenda é de que haja uma “radicalização” de setores da legenda, seja contra a petista, seja contra Mauro Lopes. 

Defesa. Responsável pela indicação de Lopes, o líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), disse que a nomeação do deputado para a SAC não afronta a decisão tomada pelo partido. O argumento de Picciani é que não se trata de um novo ministério, mas de uma Pasta que já estava na cota do PMDB. A SAC foi ocupada anteriormente pelos peemedebistas Moreira Franco e Eliseu Padilha, integrantes do grupo mais próximo do vice-presidente da Republica, Michel Temer.

"O convite e o anúncio que ele seria ministro é um fato anterior à convenção. Ele não está ocupando um cargo novo. Está ocupando um cargo que já está na cota política do PMDB e que o partido não tomou a decisão de entregar. Foi inicialmente ocupado pelo ministro Moreira, pelo ministro Padilha e agora está sendo ocupado por um interino indicado pelos antecessores", afirmou Picciani ao Estadão.

 

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