Após meses de impasse, PSDB define direção municipal em SP

Após meses de impasse, PSDB define direção municipal em SP

O presidente municipal, Mário Covas Neto, o Zuzinha, saiu vitorioso e conseguiu manter suas indicações para a Executiva Municipal; foi a primeira vez que ele e seu sobrinho Bruno Covas ficaram em lados opostos na disputa

ANA FERNANDES E PEDRO VENCESLAU, O Estado de S. Paulo

04 de agosto de 2015 | 19h49

São Paulo - Após dois meses de impasse e através de uma intervenção do diretório estadual, o PSDB definiu a direção da legenda na capital paulista - que terá papel fundamental na escolha do candidato tucano na corrida à principal prefeitura do País no ano que vem.

O presidente municipal, Mário Covas Neto, o Zuzinha, saiu vitorioso e conseguiu manter suas indicações para a Executiva Municipal. Saíram derrotados os grupos do suplente de senador José Aníbal e dos deputados federais Bruno Covas (sobrinho de Zuzinha) e Ricardo Trípoli, que no início de junho se uniram para apresentar uma composição alternativa para a direção municipal.

Na noite desta segunda-feira, a Executiva Estadual do PSDB interveio e pôs fim à disputa que, pela primeira vez, colocou em campos opostos o filho e o neto do ex-governador tucano, Mário Covas. Zuzinha foi pessoalmente à reunião da Executiva Estadual nesta segunda e fez uma apresentação dos fatos segundo seu ponto de vista. Ele relata ter feito também um agradecimento ao apelo do governador Geraldo Alckmin, por ter pedido à direção estadual da legenda que desse uma solução ao caso ainda nesta segunda. Foi realizada uma votação e, no fim da noite, a maioria deu aval a Zuzinha.

A decisão tem importância prática para o funcionamento do diretório municipal, alertou Zuzinha. Agora o diretório pode acertar as finanças e pagar funcionários, já que os pagamentos estavam retidos por causa da indefinição na tesouraria.

Depois de conseguir manter suas indicações, Zuzinha voltou a adotar o discurso conciliador e diz que vai insistir na estratégia de composição das diferentes correntes tucanas. "É claro que foi uma vitória pessoal. Mas a vitória mais importante é que a gente tenha encerrado esse assunto. Afirmo desde lá atrás e continuo afirmando que quero compor com as diferentes forças do partido", disse Zuzinha aoBroadcast Político.

Histórico. Em junho, Zuzinha se disse alvo de "traição" das pessoas que articularam uma formação para a executiva em paralelo. Ele alegava ter chamado os grupos de Aníbal, Trípoli e Bruno para compor a direção municipal. Bruno, por sua vez, dizia que o seu grupo tomou a decisão de anunciar uma outra executiva porque estava "sub-representado" e chegou a jogar indiretas contra o tio, afirmando que Zuzinha dava sinais de "compromisso com a outra candidatura" - em referência ao vereador Andrea Matarazzo, que tem declarado há tempos a intenção de concorrer à Prefeitura paulistana.

Zuzinha nega que tenha qualquer preferência pelo nome de Matarazzo e defende a realização de prévias o mais brevemente possível. "Essa é a pior parte da confusão toda. Nós já tínhamos atrasado o processo em dois meses, por conta do adiamento das convenções, e agora perdemos mais dois meses. O ideal é que realizássemos as prévias ainda neste ano para entrar no ano que vem com o candidato definido."

Matarazzo vem trabalhando desde o início do ano em uma campanha própria com os diretórios zonais, na aposta de que um trabalho adiantado o colocaria em vantagem se a disputa acontecer na urna. A tradição do partido até o momento, no entanto, não é de processos internos transparentes. "Nas eleições anteriores, não tinha sentido porque o partido ia lançar quadros como (José) Serra e (Geraldo) Alckmin, então não fazia sentido, fazer prévia num processo em que havia um nome muito superior aos demais. No processo atual, não temos ninguém com essa força, então é o momento de fazer a prévia", diz Zuzinha

O presidente municipal diz que a divergência com outros grupos são "águas passadas" e que voltou a oferecer duas vagas para o grupo de Aníbal, Trípoli e Bruno na executiva. Ele admite haver "certa estranheza" com o sobrinho, mas diz que será superada. "Não pode, do ponto de vista até de família, a gente se tornar adversário ou inimigo por conta de um processo que é passageiro", comentou. 

Aníbal disse que, para o grupo, o importante é que a disputa foi encerrada e minimizou a questão. "Não havia ânimo algum em prosseguir com essa disputa", disse em breve comentário à reportagem. Mas ele deu um recado à proposta de prévias de Zuzinha. "O importante é tentar convergir no procedimento (de escolha do candidato), se forçar a mão não será convergência."

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