BandNews/Reprodução
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Após manifesto de presidenciáveis, Lula diz que ‘se for preciso’ vai ‘chegar no centro’ nas eleições

Ex-presidente criticou autores do ‘Manifesto pela Consciência Democrática’ por não apoiarem Haddad em 2018

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de abril de 2021 | 19h44
Atualizado 02 de abril de 2021 | 11h02

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu com ironia ao manifesto divulgado nesta quarta-feira, 31, por seis presidenciáveis em defesa da democracia, mas disse que o PT pode buscar alianças além dos partidos de esquerda “se for preciso chegar no centro para ganhar as eleições”. Em entrevista ao jornalista Reinaldo Azevedo na Rádio BandNews FM, ao comentar a carta, Lula recomendou aos adversários “não inventar candidato”, e criticou os signatários por não terem se alinhado com o candidato do PT nas eleições de 2018, Fernando Haddad. 

“Tenho certeza que vamos construir alianças no setor de esquerda e, se for preciso chegar no centro para ganhar as eleições, a gente vai chegar”, disse o ex-presidente. “Tome muito cuidado com isso. Toda vez que você fica tentando pescar em terra seca, não tem peixe. Você não inventa candidato. Se inventar, o resultado é nefasto.”

O “Manifesto pela Consciência Democrática” foi assinado pelo ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM); pelo apresentador de TV Luciano Huck; pelos ex-candidatos presidenciais em 2018 Ciro Gomes (PDT) e João Amoêdo (Novo) e pelos governadores tucanos João Doria (SP) e Eduardo Leite (RS). 

Lula ainda criticou os autores por não terem se alinhado em 2018 o candidato do PT à época, Fernando Haddad. “Todos eles tiveram a chance em 2018 de deixar a democracia garantida votando no Haddad. Essa gente preferiu votar no Bolsonaro”, disse. “Ciro só foi para Paris, não votou.”

Ao comentar a possibilidade de uma candidatura em 2022 , Lula disse que não precisa “necessariamente” ser candidato, mas também não descartou essa chance. O ex-presidente também disse que não acredita que a empresária Luiza Trajano, da rede de varejo Magazine Luiza, aceitaria entrar na política e concorrer a vice-presidente da República. O nome de Trajano tem sido ventilado por partidos que veem nela uma liderança no mercado com boas chances de atrair votos. Lula também disse que teve uma relação “extraordinária” com a empresária quando era presidente. “Não acredito que Luiza Trajano se meta com política, sinceramente.”

Dilma Rousseff

Questionado sobre erros do governo Dilma Rousseff, Lula reconheceu que houve “excessos” em políticas econômicas como desoneração da folha de pagamentos e isenção de impostos. Ele também atribuiu parte dos problemas à atuação do então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, para rejeitar propostas do governo e incluir “pautas-bomba” na pauta do Congresso que ampliavam os gastos do governo, para dificultar o cumprimento de metas fiscais. “Houve um desajuste e a Dilma não conseguiu recuperar a economia”, disse Lula. 

PSDB

O ex-presidente também fez referências irônicas ao PSDB, o principal partido de oposição ao seu governo, e ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Lula disse que os tucanos viam o PT como rival, e não o contrário, pois havia uma disputa pelo apoio da população e dos intelectuais entre os dois partidos. “O comportamento do PSDB conosco é aquele negocio de o PT ter roubado a namorada dele”, ironizou Lula. “O PT creceu muito rápido (sic), cresceu muito nas universidades, e o PSDB nos tinha como adversários. A gente disputava intelectualidade com o PSDB.” 

Bolsonaro

Apesar de não ter sido questionado diretamente sobre o presidente da República, Lula incluiu em suas respostas diversas críticas a Jair Bolsonaro, principalmente em relação à condução do País durante a pandemia do coronavírus. O petista falou em “genocídio praticado pela responsabilidade de um único homem”, e chamou atenção para o isolamento do Brasil no cenário internacional em meio a uma crise sanitária que demanda diálogo entre líderes globais para discutir soluções. Na parte final do programa, Lula prestou solidariedade às vítimas de covid-19 no País, antes de responder a uma pergunta sobre suas intenções de concorrer nas eleições. 

“Ninguém quer conversar com ele”, disse Lula sobre Bolsonaro. “Se ele estiver andando numa calçada e encontrar outro presidente, o outro vai mudar de calçada.”

O ex-presidente teve seus direitos políticos restituídos há três semanas por decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), e está apto a concorrer em eleições. Fachin declarou que a 13ª Vara Federal de Curitiba não era o foro competente para o processo e julgamento das quatro ações da Operação Lava Jato contra o ex-presidente, e anulou suas condenações. 

Desde então, Lula tem sinalizado que pode concorrer nas eleições presidenciais de 2022. 

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