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Após live, oposição quer que Bolsonaro seja interpelado na Justiça por falas sobre fraude eleitoral

Durante a manhã desta sexta-feira, 30, as hashtags #BolsonaroMentiroso e #BolsoFraude estiveram entre os assuntos mais comentados das redes sociais

Cássia Miranda, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2021 | 12h15

Anunciada como “bombástica”, a live realizada pelo presidente Jair Bolsonaro na quinta-feira, 29, em que supostamente apresentaria provas de fraudes nas eleições, acabou por fragilizar a narrativa do Palácio do Planalto contra a urna eletrônica. Durante a transmissão de mais de 2 horas, o chefe do Executivo repetiu ataques ao Tribunal Superior Eleitoral e ao presidente da Corte, ministro Luís Roberto Barroso, e admitiu não ter provas, apenas “indícios” de fraude. Ao longo da live, o TSE desmentiu, mais uma vez, as alegações falsas apresentados pelo presidente.

Nas redes sociais, políticos de oposição e partidos políticos reagiram à transmissão baseada em fake news e pediram que o presidente seja cobrado na Justiça pelas declarações. Durante a manhã desta sexta-feira, 30, as hashtags #BolsonaroMentiroso e #BolsoFraude estiveram entre os assuntos mais comentados do Twitter. O Estadão Verifica listou o “apanhado de falsidades” citado pelo presidente na live.

Os políticos também criticaram o caráter eleitoral da transmissão. Nos primeiros 40 minutos da live, o presidente da República dedicou-se a atacar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que lidera as pesquisas de intenção de voto, além de Barroso, com teorias conspiratórias. “É justo quem tirou Lula da cadeia, quem o tornou elegível, ser o mesmo que vai contar o voto numa sala secreta, numa sala escura no TSE?”, perguntou Bolsonaro.

A presidente nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR) cobrou que Bolsonaro seja interpelado judicialmente pelo conteúdo apresentado na transmissão. “Bobageira mentirosa de Bolsonaro na live que iria comprovar fraude nas urnas eletrônicas. O Palácio do Alvorada virou palanque eleitoral. Só fraudaram o 1º turno de 2018? Cadê as provas de fraude nas urnas?? Ele mesmo disse, ñ temos provas!!! Tem de ser interpelado judicialmente”, escreveu no Twitter.

O vice-presidente da Câmara, deputado Marcelo Ramos (PL-AM) disse que durante a live, além de não apresentar provas, Bolsonaro “usou frases desconexas e sua verborragia agressiva contra as instituições para animar sua plateia”.

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PSB), chamou a transmissão de “desvairada” e ainda citou o incêndio em galpão da Cinemateca Brasileira, que ocorreu durante a live presidencial: “Nero tocava lira enquanto o incêndio queimava Roma. Bem parecido com essa noite, com o incêndio da cinemateca e a Live mais desvairada da história nacional”.

Para a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), Bolsonaro usou “vídeos requentados e teorias delirantes” e “se transformou em alguém sem nenhuma credibilidade”. “Em uma live com vídeos requentados e teorias delirantes, o presidente não provou absolutamente nada contra as urnas eletrônicas. Mais um blefe para uma plateia cada vez menor e mais radical. É o remake da cloroquina. O presidente se transformou em alguém sem nenhuma credibilidade”, escreveu.

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) disse que o episódio faz parte de “ataques diários contra a democracia”, “uma doença que vamos curar no voto”, afirmou.

O líder do PT na Câmara, deputado Enio Verri (PR) defendeu que Bolsonaro responda “na Justiça por sempre insinuar fraudes no processo eleitoral e não provar”.  

O deputado Marcelo Freixo (PSB-RJ) lembrou que a urnas eletrônica, que é usada no País desde 1996, é “auditável” e “segura”. “Não acredite em corrupto, confie na urna eletrônica. Ela é auditável, segura e está há 25 anos sem nem um indício de fraude. Vamos defender a democracia e espalhar a verdade!”, disse.

Na avaliação do deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), o objetivo da live era “desviar o foco dos graves problemas que o Brasil enfrenta em função do seu próprio desgoverno, que é um horror. Não passa de choro de perdedor. #BolsonaroMentiroso.”

Após mais de duas horas de acusações baseadas em fake news, o deputado petista Paulo Pimenta (RS) chamou o presidente de “mentiroso profissional” e citou o trabalho do TSE para desmentir em tempo real os boatos apresentados pelo chefe do Executivo. “MENTIROSO PROFISSIONAL ! TSE desmente Bolsonaro em tempo real e prova que ele recicla boatos já desmentidos #BolsonaroMentiroso #BolsonaroVaiCair !!”, disse.

O professor associado da Universidade de Aarhus Diego Aranha, que participou de dois Testes Públicos de Segurança do TSE em urnas eletrônicas, criticou a “geração de dados aleatórios” durante a live.

Aliados em defesa do voto impresso

O presidente também usou a transmissão para convocar a população a participar de atos marcados para o próximo domingo, 1º, em defesa do voto impresso. Aliados de Bolsonaro endoçaram as falas fraudulentas do presidente e a defesa da PEC 135/2019.

“Voto impresso auditável, com contagem pública dos votos = VOTO DEMOCRÁTICO. Pq eles querem?!”, escreveu o deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO) no Twitter. “Eu quero, porque é preciso reforçar as medidas que garantam que cada voto conte; que os eleitos sejam efetivamente os mais votados e que a confiança em nosso sistema eleitoral seja reforçada. E ELES, PORQUE NÃO QUEREM?!?!”, completou.

O relator da PEC do voto impresso, deputado Filipe Barros (PSL-PR) disse que é “quase impossível” comprovar falhas e fraudes nas urnas eletrõnicas usadas no Brasil. “Numa democracia, não é a sociedade que tem o ônus de provar fraudes nas eleições ou confiar como num ato de fé; é o poder público que deve fornecer os instrumentos para que cada eleitor, individualmente, garanta a transparência e a lisura nas eleições”, opinou em psotagem no Twitter.

A deputada Carla Zambelli (PSL-SP) reforçou o chamaneto para os atos do próximo domingo. “Precisamos de uma eleição seguramente auditada e transparente. Voto impresso auditável dia 01/08 estarei nas ruas em SP, na Paulista as 13h”, escreveu.

A deputada Bia Kicis (PSL-DF), autora da PEC 135/2019,  compartilhou uma publicação que defende que “não há pauta mais importante” que o voto impresso.

Partidos

Partidos políticos também se manifestaram com críticas à live presidencial, que usou a TV Brasil, emissora pública de televisão, para a transmissão em tempo real. Em nota assinada pelo presidente Bruno Araújo, o PSDB disse que Bolsonaro “ofereceu um festival de argumentos constrangedores e patéticos” para tentar desmoralizar as urnas eletrônicas.

“O máximo que conseguiu é deixar a sociedade perplexa com o nível das bizarrices apresentada.  Prova mesmo é que temos um presidente dado a paranoias e teorias da conspiração. O PSDB segue confiando no sistema eleitoral brasileiro", diz o texto.

PSOL classificou o conteúdo da live como “bravatas e lorotas”. E o PT deu destaque ao trabalho feito pelo TSE durante a transmissão. “Suas mentiras recicladas não colam mais, genocida!”, escreveu o partido no Twitter.

 

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