Após licença, estudantes da UnB querem agora saída de vice

Alunos ocupam reitoria desde o dia 3; eles insistem na renúncia de Mulholland e realizam assembléia na segunda

Agência Brasil

11 de abril de 2008 | 14h01

A ocupação da reitoria da Universidade de Brasília (UnB) vai continuar pelo menos até segunda-feira  quando os estudantes fazem nova assembléia. O movimento - que começou na quinta-feira da semana passada para pedir a saída do reitor - não acabou depois do pedido de licença de Timothy Mulholland. Os alunos querem agora a saída do vice-reitor Edgar Nobuo Mamiya, que assumiu o cargo de reitor, e a renúncia de Mulholland. "Pode ser que o Timothy volte daqui a 60 dias e pode ser que o processo seja julgado só depois que acabar o mandato dele de reitor, o que fará que toda essa ação fique prejudicada", afirmou Artur Sinimbu, um dos coordenadores da manifestação. Veja também: Entenda o caso do reitor da UnB Estudantes da UnB rejeitam termo e mantêm ocupaçãoMEC quer parecer da Finatec sobre recursos para UnBJustiça manda estudantes desocuparem Reitoria  As denúncias contra o reitor surgiram no início de fevereiro, em meio ao escândalo da farra com os cartões corporativos, que resultou na saída da ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro. A universidade apareceu como líder no ranking de instituições federais em gastos com cartões, e Mulholland teria usado recursos públicos de uma fundação, no total de R$ 470 mil, para mobiliar o apartamento funcional ocupado pelo reitor.  Menos de uma semana após a denúncia de desvio da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), Mulholland deixou o apartamento. Dos R$ 470 mil, ele admitiu ter gasto R$ 350 mil em móveis e utensílios. O reitor chegou a comprar uma lixeira no valor de quase R$ 1 mil. A denúncia do Ministério Público do Distrito Federal aponta que a Finatec gastou R$ 470 mil para equipar o apartamento de Mulholland. Ainda segundo o estudante, é importante o reitor ter pedido licença, mas os estudantes consideram que a renúncia seria o ideal. "A gente compreende que é necessária a renúncia, inclusive porque tendo se licenciado do cargo de reitor, Timothy Mulholland continua participando do Conselho da FUB (Fundação Universidade de Brasília), que foi exatamente o conselho que aprovou e liberou dinheiro, por exemplo, para mobília e decoração do apartamento dele". Os professores decidiram apoiar o movimento dos estudantes, mas não pedem a renúncia do reitor. Querem o afastamento do vice e dos cinco decanos da universidade. Segundo a presidente da Associação dos Docentes da UnB, Rachel da Cunha, a licença é necessária para que a investigação das denúncias de irregularidades na UnB seja imparcial. Até agora, os professores não cogitaram paralisar as atividades. Os alunos têm indicativo de greve desde segunda-feira. Timothy Mulholland e o decano de administração da UnB, Érico Paulo Weidle, são alvo de uma ação na Justiça por improbidade administrativa. Segundo a denúncia do Ministério Público do Distrito Federal, a Finatec - fundação ligada à UnB - gastou cerca de R$ 500 mil com mobília e decoração de um apartamento funcional que era ocupado por Mulholland. O dinheiro deveria ter sido usado em pesquisa científica. Texto ampliado às 15h18

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