Após Lacerda, cai nº 2 da Abin

Campana deve ser indiciado pela CPI dos Grampos

Vannildo Mendes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

31 de dezembro de 2008 | 00h00

Sob a mira da CPI dos Grampos, José Milton Campana foi ontem oficialmente afastado da cúpula da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Oficial de inteligência e integrante do serviço de informação do governo há 34 anos, Campana é mais uma vítima da Operação Satiagraha, conduzida pelo delegado federal Protógenes Queiroz.Na diretoria-adjunta da agência, Campana coordenou, ao lado do delegado Paulo Lacerda, então diretor-geral, toda a movimentação dos agentes da Abin envolvidos na investigação que levou à prisão do banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity. A queda de Campana - que continuará na Abin, mas em cargo menos visível - é uma tentativa do governo de esvaziar antecipadamente o impacto do anunciado pedido de indiciamento do oficial pela CPI. Campana minimizou, em depoimento à CPI, a participação de arapongas na Satiagraha. Mas foi desmentido pelos fatos e por uma investigação da PF. "O pedido do delegado Protógenes foi simples. Ele perguntou se era possível contar com o apoio da Abin no que dizia respeito à verificação de endereços, a consultas a bancos de dados para a confirmação de registros - tipo tribunais, pessoas que têm o seu nome no Serasa -, essas consultas que são feitas a esse tipo de banco de dados", disse Campana, em setembro.No final de novembro, porém, a CPI tomou o depoimento do agente Márcio Seltz, que confirmou o repasse para Campana e Lacerda de arquivos com o registro de conversas telefônicas de investigados pela Satiagraha. Na ocasião, o presidente da CPI, Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), disse que o depoimento de Seltz desmontou as versões apresentadas por Lacerda e Campana.SUCESSÃOA saída de Lacerda e Campana criou um vácuo de poder na cúpula da Abin, que desencadeou um processo sucessório na agência. Mas como o nome do diretor-geral da Abin precisa ser referendado pelo Senado, a avaliação é que o Planalto espere até fevereiro, quando termina o recesso parlamentar, para indicar o sucessor de Lacerda - que foi designado para a adidância policial em Lisboa, Portugal. Até lá, a Abin será comandada interinamente pelo analista Wilson Trezza. "O comando da Abin exige bagagem e conhecimentos específicos da área de inteligência", afirmou o presidente da Associação dos Servidores da Abin, Robson Vignoli. Antes de Lacerda, egresso da PF, a Abin foi administrada no primeiro mandato do presidente Lula pelo também delegado Mauro Marcelo, da Polícia Civil de São Paulo. "Com o devido respeito que os dois merecem, as duas administrações foram desastradas."

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