PAULO PINTO|DIVULGAÇÃO
PAULO PINTO|DIVULGAÇÃO

Após impeachment, PT defende eleições

Partido pretende usar mote das ‘Diretas-Já’ para manter mobilizações contra a cassação de Dilma e como forma de fazer oposição a Temer

Ricardo Galhardo e André Italo Rocha, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2016 | 07h43

No primeiro balanço político depois do impeachment de Dilma Rousseff, o PT decidiu aderiu à proposta de realização de novas eleições presidenciais. O objetivo é usar o mote das “Diretas-Já” como forma de manter as mobilizações contra a cassação da petista e também fazer oposição ao governo de Michel Temer (PMDB).

Em resolução aprovada por consenso ontem, em São Paulo, a Executiva Nacional do PT, reforçada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu que o País faça “firme, incansável e enérgica oposição” ao novo presidente. “Nosso objetivo central é colocar fim ao governo usurpador de Michel Temer e conquistar o direito do povo de eleger, direta e imediatamente, um novo presidente”, informou o texto.

A direção do PT não explicou qual será o instrumento institucional e jurídico para viabilizar a proposta. A ideia de um plebiscito sobre o tema foi abandonada depois da derrota no julgamento do impeachment no Senado.

A decisão foi tomada pouco mais de uma semana depois de a direção do PT se recusar por 16 votos a 2 a incluir a realização de novas eleições presidenciais, proposta por Dilma em carta aos senadores. O tema foi motivo de divergências públicas entre Dilma e o presidente do PT, Rui Falcão.

Segundo ele, a proposta agora é consultar outros partidos de esquerda e movimentos sociais antes definir uma estratégia. Ontem, depois da reunião da Executiva, Falcão admitiu que a intenção das “Diretas-Já” não é apenas realizar novas eleições, mas galvanizar apoios que ajudem a combater a pauta econômica do novo governo. “O nosso movimento não tem só o conteúdo de restabelecer a democracia. Ele tem também o conteúdo de acumular forças de mobilização popular para barrar as medidas revogatórias dos direitos sociais”, afirmou.

Nos bastidores, dirigentes petistas dizem que a estratégia é manter as mobilizações contra o impeachment até que Temer comece a por em prática medidas econômicas impopulares de ajuste fiscal.

A resolução representa vitória de correntes de esquerda do PT que defenderam desde o início o apoio às “Diretas-Já” e agora pedem a renovação da direção partidária com antecipação da eleição dos novos dirigentes, cujo mandato vai até o fim de 2017.

Ex-presidente. Em discurso emocionado, no qual chegou a ir às lágrimas, Lula defendeu a antecipação da troca da direção. O ex-presidente fez um forte apelo à unidade partidária e reforçou o pedido para que o PT se mantenha na oposição. “Temos que reaprender a fazer oposição”, afirmou.

A frase do ex-presidente foi interpretada como um recado para setores das bancadas do PT na Câmara e no Senado que ensaiam aproximação com o governo Temer. Lula, no entanto, fez a ressalva de que sindicatos e centrais sindicais ligados ao partido podem ter relações formais com o novo governo.

Segundo Lula, para manter a unidade partidária, o PT não pode se prender a balanços ou na busca dos responsáveis pela derrocada, mas, ao contrário, deve se aproveitar da agenda impopular proposta por Temer para recuperar a imagem e o eleitorado da legenda.

Ele repetiu algumas vezes que “ninguém fez mais pelo Brasil do que o PT”. Segundo relatos de participantes da reunião, Lula associou supostos interesses dos Estados Unidos no Brasil, como o petróleo do pré-sal, ao impeachment de Dilma, sem entrar em detalhes.

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