Após grampo, oposição no Senado pede renúncia de Dilma

Divulgação de conversa entre Dilma e Lula gerou bate-boca entre integrantes da base e oposicionistas no plenário da Casa

Ricardo Brito, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2016 | 20h26

BRASÍLIA - Lideranças da oposição do Senado defenderam nesta quarta-feira, 16, em plenário a renúncia da presidente Dilma Rousseff após a revelação de um áudio da conversa telefônica entre a petista e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que a nomeação do último para a Casa Civil teria tido como objetivo evitar que ele viesse a ser investigado na primeira instância pela Operação Lava Jato. A divulgação da conversa gerou um intenso bate-boca em plenário entre integrantes da base e da oposição.

Coube ao líder do DEM na Casa, Ronaldo Caiado (GO), ler no plenário a conversa. Ele disse ser inaceitável e inadmissível que a presidente da República faça parte disso. “Isso é motivo de renúncia da presidente”, disse. O líder do PSDB na Casa, Cássio Cunha Lima (PB), disse que não havia outra saída do que a renúncia de fato da presidente, uma vez que, com a ida de Lula para a Casa Civil, ela renunciou tacitamente a seu mandato.

“Não há mais caminho para este governo diante da desmoralização completa, da desmoralização pública de uma mandatária que é pega em flagrante obstruindo o trabalho e a ação da Justiça”, disse o tucano. O líder do PSDB já acionou os advogados do partido para estudarem pedir à Procuradoria-Geral da República a abertura de investigação contra a presidente por obstrução da Justiça e falsidade ideológica.

Pela base aliada, a defesa da legalidade do diálogo entre Dilma e Lula foi enfática. O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) protestou contra o grampo. Ele disse que é preciso esclarecer se houve uma interceptação ilegal de um diálogo de Dilma, que só pode ser formalmente investigada com autorização do Supremo Tribunal Federal.

O líder do governo no Congresso, senador José Pimentel (PT-CE), afirmou que conversas fortuitas têm de ser imediatamente transferidas para o foro competente. No caso de conversas que envolvem Dilma, o Supremo é o responsável por analisar as conversas. Para ele, a oposição tenta promover um golpe para chegar ao poder e criticou duramente o juiz responsável pela Lava Jato. 

“Hoje, por achar que é preciso fazer uma atalho para chegar à Presidência da República, resolvem apoiar um ditador que não respeita a legislação brasileira que é o Juiz Federal Sérgio Moro”, reclamou.

Pouco antes de encerrar a sessão, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), fez em uma crítica indireta ao juiz Sérgio Moro, responsável por determinado a interceptação telefônica: “A Constituição diz que o Supremo Tribunal Federal é a instância maior da Justiça. Respeito qualquer juiz designado para qualquer questão, mas um juiz de exceção, designado, não pode substituir, por mais que queira, o Supremo”.

Renan – investigado em sete inquéritos na Lava Jato pelo Supremo – disse ter feito “quase” um gesto premonitório de ter presenteado na semana passada a Lula uma Constituição.

“Todos nós temos que zelar pela democracia. Esse período constitucional que nós vivemos é o mais longevo do Brasil. Então, mais do que qualquer um, nós devemos zelar pela sua longevidade. Então, é prudente nós aguardarmos o conhecimento detalhado dos fatos, para que nós possamos posicionar o Congresso Nacional”, disse o presidente do Senado.

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