Beto Barata|PR
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Após 'gafes', Planalto cria conselho ‘informal’ de comunicação

Temer tem se reunido com nove profissionais ligados ao meio político; Eduardo Oinegue deve ser confirmado porta-voz

Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2016 | 22h51

BRASÍLIA - O presidente Michel Temer vem se reunindo com um “grupo informal de comunicação” de nove pessoas ligadas ao meio político, com experiência em marketing e campanhas eleitorais, para assessorá-lo na forma de anunciar suas ações e se posicionar frente aos temas do governo.

A criação do grupo foi uma sugestão do cientista político e amigo pessoal de Temer Gaudêncio Torquato, que resgatou uma ideia praticada em 1986, durante o governo José Sarney. “Criei grupo de comunicação composto por 25 pessoas, os maiores comunicadores do País. Depois de três meses e ótimas sugestões, Sarney não atendendo propostas, eu mesmo propus dissolução do grupo”, afirmou. E completou: “Desta vez, um grupo menor e bem entrosado pode dar certo, já que o presidente sabe ouvir e ponderar”.

Em Nova York, onde discursou na terça-feira na abertura da Assembleia-Geral da ONU, o presidente desautorizou o chefe da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, que disse que o Congresso deve fazer “sem medo” a discussão sobre a anistia a políticos que tenham praticado caixa 2. A afirmação do ministro foi considerada “surpreendente” por Temer e explicitou mais uma vez a dificuldade do governo de afinar sua comunicação.

Também repercutiram negativamente no governo as declarações do ministro da Saúde, Ricardo Barros, de que não tem certeza de que um dos pilares do ajuste fiscal proposto pela gestão Temer, a PEC que limita gastos públicos, será aprovada no Congresso. 

A fala foi classificada como “mais uma besteira” do ministro. Uma fonte próxima ao presidente avaliou que “é a quarta ou quinta vez” que Barros se equivoca ao dar entrevistas ou fazer pronunciamento. Em entrevista ao Estado, o ministro afirmou não ter certeza de que a PEC seria aprovada e ressaltou a necessidade de se avaliar a possibilidade de ajustes no texto inicial.

Temer já esteve reunido com seus “auxiliares” em pelo menos três ocasiões. A última reunião foi na sexta-feira passada, em São Paulo, antes de embarcar para Nova York. A ideia é que o grupo se reúna pelo menos uma vez por mês. Torquato é o responsável pela pauta prévia do debate, mas todos levam sugestões de assuntos que consideram importantes de serem debatidos.

Além dele, integram o conselho o jornalista e consultor de marketing político Chico Santa Rita; o publicitário do PMDB, Elisinho Mouco; o cientista político Rubens Figueiredo; o jornalista e advogado Antonio Lavareda; o jornalista e consultor político Eduardo Oinegue – que deve ser anunciado porta-voz oficial do governo –; o secretário de comunicação da Presidência, Márcio Freitas; o historiador Marco Antonio Villa; o cientista político Rubens Figueiredo e o advogado Ruy Altenfelder.

De volta ao Brasil, Temer recebe hoje Oinegue para convidá-lo pessoalmente para o cargo de porta-voz. A avaliação do Planalto é que o governo precisa afinar e concentrar o discurso para evitar ruídos e desgastes, que o obrigou a ter seguidos “recuos”.

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