Após escândalo com Arruda, aliados abrem mão de cargos no DF

Depois de o PDT renunciar a três secretarias e o PPS a duas, o PSB abriu mão de cargo em empresa estatal

Carol Pires, da Agência Estado,

30 de novembro de 2009 | 18h02

Manifestantes usam panetone em protesto em frente a casa de Arruda, após reunião com o DEM

 

BRASÍLIA - Já são três os partidos que anunciaram pedidos de exoneração dos cargos que ocupam na administração do Distrito Federal, governado por José Roberto Arruda, do DEM. Depois de o PDT renunciar a três secretarias e o PPS a duas, o PSB divulgou nota à imprensa abrindo mão do cargo de diretor-presidente da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/DF), ocupado por Joe Valle. A decisão foi tomada durante reunião do diretório regional na tarde desta segunda-feira, 30.

 

O PSB afirma ainda que pedirá instauração de processo disciplinar contra o deputado distrital Rogério Ulysses, que pode ser expulso do partido. Ulysses é vice-presidente do partido em Brasília e presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Legislativa. O parlamentar também é citado no inquérito da Operação Caixa de Pandora, que investiga esquema de arrecadação e distribuição de propina entre parlamentares da base aliada ao governo Arruda.

 

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De acordo com o deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), Rogério Ulysses participou da reunião desta segunda e negou envolvimento no esquema deflagrado pela Operação Caixa de Pandora, na última sexta-feira, 27. "Questionamos ele sobre esta versão, porque como a Polícia Federal promove, com autorização do Superior Tribunal de Justiça, uma busca e apreensão na casa dele? Isto é muito grave, e o partido é maior do que uma única pessoa", disse Rollemberg.

 

Ainda segundo Rollemberg, o PSB irá se "engajar" no processo de afastamento de José Roberto Arruda e do vice-governador, Paulo Octavio (DEM), do governo do Distrito Federal. "Eles não têm mais condições éticas e morais de governar o DF", disse.

 

Mais cedo, em nota, o PPS anunciou a saída de seus correligionários do governo Arruda. Deixaram a administração os secretários de Saúde, deputado federal Augusto Carvalho, e de Justiça, deputado distrital Alírio Neto.

 

Na nota, o presidente do PPS-DF, Fernando Antunes, afirma que as denúncias "são graves e exigem apuração imediata e rigorosa". "Por não perceber condições de continuidade do projeto de mudança com o qual está comprometido desde a campanha de 2006, o PPS afasta-se do governo, determina a seus filiados a entrega dos cargos ora ocupados e recomenda o início das conversações sobre a transição em cada caso", afirma a nota.

 

A área da Saúde, sob comando do PPS , é uma das mais visadas pela investigação . Na nota, Antunes afirma que o partido "repudia a divulgação de insinuações infundadas e irresponsáveis a respeito de alguns de seus dirigentes e tomará as medidas jurídicas cabíveis". Ele era o segundo homem na secretaria de Saúde do DF.

 

PDT

 

Os integrantes do PDT que têm cargos no governo também irão pedir desligamento dos cargos, anunciou, em plenário, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF). Devem pedir afastamento, conforme a assessoria do senador, os secretários do Trabalho, Israel Batista; da Educação Integral, Marcelo Aguiar; e de Escolas Técnicas, Edilson Barbosa. O gesto será seguido pelos assessores especiais Eduardo Lopes e Peniel Pacheco.

 

"A partir de amanhã (terça-feira), nenhum deles estará neste governo, nem mesmo aqueles que não foram para lá com qualquer aval do PDT, mas por opção pura e simples do governador, pela amizade pessoal. Nem esses continuarão no governo", disse Buarque.

 

Além de fechar questão pelo afastamento dos pedetistas do governo Arruda, o diretório regional do PDT decidiu ainda lançar candidato próprio ao governo do Distrito Federal nas eleições de 2010. O candidato deve ser ou o deputado distrital Reguffe, ou o senador Cristovam Buarque, ex-governador do DF. O nome de um deles será referendado em reunião da Executiva Nacional no início do próximo ano, de acordo com a assessoria do partido.

 

Reguffe vinha, desde o início do ano, se colocando à disposição do partido para ser candidato ao governo do Distrito Federal. Porém, parte do PDT local defendia o apoio à reeleição de Arruda. Outra parte defendia ainda uma aliança com o PT. Há duas semanas, Reguffe havia anunciado desistência da candidatura própria para "evitar constrangimentos ao partido".

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