Após encontro com Lula, Paulo Octávio dará coletiva

Governador em exercício do Distrito Federal teria comunicado ao presidente sua renúncia ao cargo

André Dusek e Leonencio Nossa, da Agência Estado,

18 de fevereiro de 2010 | 09h58

O governador em exercício do Distrito Federal, Paulo Octávio, encontrou-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quinta-feira, 18, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). A expectativa era de que Paulo Octávio dê uma entrevista coletiva nas próximas horas. Ele já teria preparada uma carta de renúncia para anunciar depois do encontro com o presidente, no qual estava previsto comunicar ao presidente a sua decisão. A coletiva, que chegou a ser anunciada pela assessoria de Octávio, foi cancelada há pouco.

 

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O governador entrou e saiu do CCBB pela porta privativa do presidente Lula. Antes de deixar o local, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e o ex-procurador-geral da República e ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, José Paulo Sepúlveda Pertence, estiveram no CCBB, mas evitaram falar com a imprensa. Pertence chegou a ser cogitado para interventor do Distrito Federal, caso o Supremo Tribunal Federal julgue pela intervenção, na próxima semana. Perguntado se seria o candidato do governo para interventor, respondeu: "só se vocês (jornalistas) estiverem convidando".

 

Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, Paulo Octávio deve renunciar ao cargo ainda nesta quinta-feira, 18. Ele redigiu a carta de renúncia durante o feriado do carnaval e até já mostrou o texto a alguns políticos de Brasília.

 

A comunicação formal da renúncia, que deve ser feita em um movimento político combinado com o governador José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), vai abrir uma negociação em torno da linha sucessória no DF. É provável que o presidente e o vice da Câmara Legislativa desistam de assumir o governo local. Nesse caso, assumiria o presidente do Tribunal de Justiça (TJ), que organizaria a eleição indireta na Câmara Legislativa para escolher o novo governador.

 

Na quarta-feira, 17, Lula evitou se encontrar com Paulo Octávio para não dar sinais de que trabalha pela sustentação política do governador interino. O Palácio do Planalto não pretende se associar ao escândalo do "mensalão do DEM" no Distrito Federal. Para evitar desgastes desnecessários, o governo vai se manter neutro, à espera da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que analisará um pedido do Ministério Público de intervenção federal.

 

Paulo Octávio assumiu o governo do DF na última quinta-feira, 11, depois de Arruda ser preso acusado de tentar subornar uma testemunha do escândalo de corrupção que atinge o Distrito Federal. No fim do ano passado, o ex-secretário de Relações Institucionais do DF Durval Barbosa denunciou um suposto esquema de recebimento e distribuição de propinas na administração. O escândalo se agravou depois que vídeos feitos com e sem autorização judicial por Barbosa vieram à tona. Numa das gravações, Arruda aparece recebendo dinheiro. Embora não tenha aparecido ainda nos vídeos, assessores de Paulo Octávio são investigados por suposta participação no esquema.

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