Após eleições, Câmara retoma votações em ritmo lento

O plenário da Câmara retomou em ritmo lento a votação das dez medidas provisórias que estão trancando a pauta, impedindo assim que sejam votados outros projetos na Casa. Apenas uma MP foi votada nesta terça-feira: a Medida Provisória que abriu crédito extraordinário de R$ 698,797 milhões para os ministérios do Transporte, Desenvolvimento Agrário e da Integração Nacional. As votações foram encerradas durante a discussão da MP 315, que trata do pacote cambial. A intenção é votar todas as medidas até esta quarta.Como o relator da MP 315, deputado Carlito Merss (PT-SC), está em missão oficial fora de Brasília, o novo relator, deputado Vignatti (PT-SC) foi designado e pediu prazo até quarta para elaborar seu parecer. Das MPs que trancam a pauta, a mais polêmica é a que trata do reajuste de 5,01% para as aposentadorias acima de um salário mínimo pagas pela Previdência Social. Na votação desta MP deverá haver embate, já que a oposição quer aprovar um índice de 16,67% para o reajuste das aposentadorias. Os líderes aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva esperam reverter a derrota do governo na votação em junho na qual foi aprovado o índice de 16,67%, o que obrigou que Lula vetasse o aumento. O presidente poderá testar assim a eficácia de sua base de apoio pós-reeleição na Câmara com a votação desta medida.Os partidos, no entanto, vão procurar demonstrar lealdade ao governo no momento em que Lula está compondo o seu ministério para o segundo mandato para ter maior força de pressão na divisão dos cargos.O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), afirmou que a vitória na votação da MP vai depender muito do quórum da sessão. "Temos de votar a MP como o governo propõe, mas não dá para saber ainda com que segurança", avaliou Chinaglia. "Não podemos aceitar que deputados da base votem com a oposição em uma matéria como essa", disse o líder do governo."Acabado esse sentimento eleitoreiro, espero que as pessoas votem com a razão. Temos de mostrar a questão da responsabilidade e vencer a demagogia e promessa eleitoreira", afirmou o líder do PSB na Câmara, Alexandre Cardoso (RJ), considerando que, após as eleições, diminuiu o aspecto emocional da votação. Além do índice de reajuste, os aliados estão tentando modificar o texto do relator da MP dos aposentados, Armando Monteiro (PTB-PE). Ligado ao setor empresarial, Monteiro retirou do texto da MP original o dispositivo que facilitava a obtenção de auxílio-doença pelo trabalhador, transferindo à empresa a responsabilidade de buscar provas se tiver em desacordo com a decisão do INSS nesses casos.Este texto foi alterado às 22h24 para acréscimo de informação.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.