André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Após duas reuniões, PT decide votar a favor de MP do ajuste fiscal

O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), disse que o partido não precisou "fechar questão" pela aprovação do texto, mas sua maioria demonstrou posição de apoio político às medidas 

Ricardo Brito, Nivaldo Souza e Bernardo Caram, O Estado de S. Paulo

05 de maio de 2015 | 16h33

Atualizado às 18h26


Brasília - Após duas reuniões que contaram com a presença de quatro ministros do governo Dilma Rousseff na Câmara, a bancada dos deputados federais do PT decidiu nesta noite fechar questão e votar a favor da medida provisória 665. A decisão dos petistas ocorre após intensa pressão do Palácio do Planalto e dos demais partidos da base aliada que cobravam apoio do partido de Dilma à primeira medida provisória do ajuste fiscal.

A bancada tomou a decisão por aclamação, sem que houvesse registro nominal dos votos dos deputados do partido. Segundo presentes, 85% dos 64 deputados petistas apoiaram a medida. A bancada estava dividida, tanto que o partido teve de suspender, temporariamente, o encontro que discutia uma posição da legenda.

O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), disse que o partido não precisou "fechar questão" pela aprovação do texto, mas sua maioria demonstrou posição de apoio político às medidas de ajuste fiscal. "O PT discute muito, os apelos, os debates, mas ao final o PT sai unido no apoio às duas medidas provisórias", disse. Segundo ele, o PT não vai apresentar destaques ao texto e vai votar com o governo.

Segundo o o líder do PT na Câmara, Sibá Machado (AC), o partido decidiu apoiar as medidas de ajuste fiscal, apesar de algumas divergências na bancada. "Vamos buscar os 64 votos do PT, porque tem dois com problema de saúde, mas os demais acredito que na hora de votar estarão todos firmes nessa luta", disse ele, ao destacar que ninguém será punido caso eventualmente contra a proposta . "Ninguém aqui é obrigado a nada, então a nossa posição é majoritária e esperamos até a hora da votação". Segundo ele, o que tinha de maior gargalo nas demandas do partido já foi resolvido.

Estiveram em reuniões da bancada petista os ministros das Comunicações, Ricardo Berzoini, da Secretaria-Geral da Presidência, Miguel Rossetto, da Previdência Social, Carlos Gabas, e da Secretaria de Direitos Humanos, Pepe Vargas, ex-articulador político de Dilma.

O receio do Planalto era o de que, se o PT não desse o apoio à medida, outros partidos da base seguiriam  pelo mesmo caminho e a aprovação da medida seria ameaçada. A votação da MP deve ocorrer ainda nesta noite. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), abriu a sessão do plenário que vai analisar a medida provisória. Cunha já disse que a proposta será aprovada, mesmo diante da obstrução que a oposição faz neste momento no plenário.

Pouco antes do anúncio da decisão do PT, o PMDB cobrou um posicionamento definitivo do partido da presidente para que a bancada peemedebista apoiasse em plenário a MP. "", disse o líder do PMDB, Leonardo Picciani (RJ). "O PMDB tem convicção de que é necessário um ajuste fiscal para o País, mas consideramos que é fundamental que o PT tenha a mesma convicção. Se eles (petistas) não tiverem, certamente, abalará a nossa convicção", disse.

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