Após divulgação de nomes, Kroll informa que não celebrará novo contrato com CPI

Após divulgação de nomes, Kroll informa que não celebrará novo contrato com CPI

Em comunicado, empresa de espionagem diz 'não ter alcançado um acordo em relação aos termos contratuais'

Daniel Carvalho e Daiene Cardoso, O Estado de S. Paulo

13 de agosto de 2015 | 15h59

Brasília - Após integrantes da CPI da Petrobrás divulgarem os nomes dos 12 investigados pela consultoria Kroll nesta quinta-feira, 13, a empresa de espionagem internacional informou que não prestará mais serviços à Comissão Parlamentar de Inquérito.

"A Kroll informa que não celebrará novo contrato para trabalhos adicionais com a CPI da Petrobrás, por não ter alcançado um acordo em relação aos termos contratuais", informou a empresa em nota. 

De acordo com o comunicado, "o trabalho que foi definido para o contrato firmado em 8 de abril de 2015 foi concluído em 10 de junho de 2015. Os resultados desse trabalho foram apresentados ao presidente da CPI na mesma data, e aos demais membros da CPI, em 16 de junho de 2015".

A Kroll informou ainda que, desde o dia 10 de junho de 2015, não prestou mais serviços à CPI. A empresa informou também que, "por força de obrigações contratuais", está impedida de fazer quaisquer comentários sobre os serviços prestados à comissão. "Quaisquer perguntas relativas à CPI da Petrobrás e ao trabalho realizado pela Kroll para tal Comissão devem ser diretamente feitas à CPI da Petrobrás", encerra o comunicado.

Nomes. Pressionado pelos integrantes da CPI da Petrobrás, o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito, Hugo Motta (PMDB-PB), revelou aos deputados nesta quinta-feira os nomes dos 12 investigados pela empresa de espionagem Kroll. A lista inclui delatores do esquema de corrupção da Petrobrás, como o lobista Julio Camargo, que citou o deputado Eduardo Cunha (PMDB) em seu depoimento e até mesmo Stael Fernanda Janene, viúva do ex-deputado José Janene (PP-PR).

Os outros 10 nomes são os seguintes: Renato Duque (ex-diretor de Serviços da Petrobrás), Paulo Roberto Costa (ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás), Pedro Barusco (ex-gerente da Petrobrás), Alberto Youssef (doleiro), João Vaccari Neto (tesoureiro do PT), Augusto Mendonça (ex-dirigente da Toyo Setal), Eduardo Leite (ex-diretor vice-presidente da Camargo Corrêa), Dalton Acancini (ex-presidente da Camargo Corrêa), Julio Faerman (representante da SBM Offshore no Brasil) e Ricardo Pessoa (empreiteiro da UTC).

O objetivo da investigação é encontrar contas e imóveis dessas pessoas no exterior. Na avaliação de membros da CPI, o resultado das investigações poderia ser utilizado para fazer pressão política e derrubar delações em caso de informações desencontradas. Motta negou ter escolhido a quem investigar e se recusou a confirmar os nomes revelados ao Estado. "Existem indícios de contas no exterior e propriedades", disse Motta. Ele não afirmou se há indícios em relação a todos os investigados. O presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) negou ter conhecimento prévio dos nomes.

Até a tarde desta quinta, apenas três deputados sabiam dos nomes: Hugo Motta, o sub-relator da comissão André Moura (PSC-SE) e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Segundo Motta, os nomes que serão investigados pela Kroll na segunda fase dos trabalhos serão escolhidos pelos membros do colegiado.

Caução. Deputados que participaram da reunião reservada da CPI da Petrobrás nesta tarde para discutir o trabalho de rastreamento de contas no exterior realizado pela consultoria Kroll revelaram que a empresa, em vias de renovar seu contrato com a Câmara, está exigindo um cheque caução para eventuais processos de investigados.

O contrato da primeira fase já previa a entrega de um cheque caução. Na segunda fase, o valor ainda não foi definido. A preocupação da consultoria é com eventuais pedidos de indenização dos investigados. 

A CPI estava negociando com a Kroll a renovação dos trabalhos para uma nova fase. Segundo deputados, todo o pacote de rastreamento de contas, bens e empresas dos investigados fora do País pode custar R$ 10 milhões. Só na primeira fase, a Câmara dos Deputados desembolsou mais de R$ 1 milhão. Desde julho a Kroll interrompeu seus trabalhos à espera de um novo contrato com a Casa. "Não vou dizer que foi um gasto à toa. Há interesse da investigação prosseguir", respondeu Motta sobre os gastos com a consultoria.

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